A calamidade em Portugal e a trovoada seca

artigo

Na região de Leiria, em Pedógrão Grande, temos assistido às consequências de uma das maiores catástrofes naturais dos últimos anos, no nosso país.

 

Infelizmente, falar de incêndios, em Portugal, na época quente há muito tornou-se trivial. Estes rendem fortunas a várias entidades ainda não responsabilizadas. Acresce ainda o problema do ordenamento do território, alguns aspetos da flora e os indevidos cuidados para com a limpeza da floresta. Constatam-se armadilhas do fogo e do combate ao fogo.

Contudo, em Pedrógão Grande, onde as vítimas mortas carbonizadas ou por asfixia ascendem, neste momento, a mais de 6 dezenas, os desalojados a centena e meia e muitos são os feridos, sem esquecer as consequências de ordem psicológica, económica e ambiental, a origem esteve em trovoadas secas. Um raio de um relâmpago atingiu uma árvore. Pode ler, “Como a polícia encontrou a árvore onde tudo começou“.

Um relâmpago pode provocar um incêndio devido à temperatura da descarga elétrica. Eles ocorrem numa fração de segundo mas atingem temperaturas na ordem dos 20 mil graus Celsius. O raio que atingiu a árvore em Escalos Fundeiros no sábado à tarde, dia 17 de junho, facilmente fez arder a madeira e o mato seco em volta. A temperatura ambiente acima dos 40ºC associada à baixa humidade do ar e ao vento forte fizeram com que as chamas se propagassem rapidamente.

Como referido, às trovoadas secas associaram-se o vento forte e o baixo teor de humidade no ar e no solo, assim como “grandes manchas de eucaliptal desordenado, numa região conhecida ironicamente como pinhal interior, e de fraca gestão, em que os proprietários só lá voltam basicamente para cortar”, de acordo com o presidente da Quercus (cf. artigo Sapo 24). Nesta imagem, encontra uma explicação sucinta a respeito da formação de trovoadas.

As trovoadas secas ocorrem devido ao desenvolvimento de cumulonimbos, nuvens de crescimento vertical, cuja base está a um nível muito elevado na atmosfera e, abaixo da base, o ar está muito seco, a humidade é muito baixa e as temperaturas estão muito elevadas. Como tal, podem desencadear apenas aguaceiros ou a trovada seca (trovada sem aguaceiros).  Caso não haja precipitação, mas haja trovoada, estamos perante o fenómeno de trovoada seca.

Na fotografia pode ver uma destas nuvens.

 

 

Dadas as elevadas temperaturas, este fenómeno acontece com alguma frequência no verão. “A humidade relativa do ar, que indica a quantidade de água no estado gasoso presente no ar a determinada temperatura, pode descer abaixo dos 10% quando se verifica este fenómeno. É por isso que a atmosfera absorve a água da chuva (quando ocorre), impedindo que ela chegue ao chão“, de acordo com Maria João Frada, meteorologista do IPMA, ao Observador. Informação detalhada do processo pode encontrar em Trovoadas Secas.

Aos fatores indicados, temos a destacar o relevo da região, que consiste em  terreno bastante acidentado, com declives muito pronunciados e vales relativamente fundos. É uma região com muita floresta e pouca agricultura, tratando-se essencialmente de eucaliptais. Falharam as medidas preventivas, no combate inicial ao incêndio e na informação da população. Por outro lado, uma estrada que não foi cortada ao trânsito.

Veja algumas das fotografias no Sapo 24, acerca do que se sabe até ao momento que demonstram a intensidade desta calamidade nacional.

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David Gray – Babylon

música

Um delicioso cover.

 

 

Letra

George Michael & Elton John – Don´t let the sun go down on me

música

 

Porque quero gritar e não posso.

Porque quero chorar, mas não consigo.

 

Letra

INXS – The Original Sin

música

 

Hoje, é dia de salutar revivalismo .

 

Letra

Um sinal dos tempos

música

 

Um tema de Harry Styles, dos One Direction, que descobri no blogue More.

Sign of the times recordada alguns temas de amor dos anos 80 e seus acordes, em tempos cujos slows parecem ter morrido.

 

A letra

Luis Fonsi – Despacito

música

Um hit desta época já por si quente.

 

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Opinião: Please Like Me

artigo, escrita, opinião

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   Please Like Me (2013-2016) é uma série australiana, atualmente disponível na Netflix Portugal.

Trata-se de uma comédia irreverente, em 4 temporadas, onde o humor mistura-se com o drama. Nela, a homossexualidade e a deficiência mental, quantas vezes por nós abnegada, são mostradas com naturalidade, assim como as relações humanas frágeis.

Em cada episódio, um genérico diferente. O 1.º episódio agarra-nos do princípio ao fim e ao longo das temporadas, deparamo-nos com vários momentos durante os quais entramos na dualidade de querer rir e… chorar. Todos os episódios têm cerca de 25 minutos e as personagens são deveras envolventes.

Pessoalmente, não gostei muito da 2.ª temporada. Talvez pela minha falta de humor de então. Um momento a recordar, aqui.

Já agora, Please, Like Me.

#netflixportugal

#séries

 

Cuidadores sempre sós

diário

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Não é fácil.

Ninguém disse que seria fácil, mas também ninguém disse que seria tão difícil.

Patético. Tudo soa a patético.

O avançar da Doença de Alzheimer que afeta a minha avó, há 6 anos, destrói pedaços da minha mãe, principal cuidadora e meus. Subitamente, deparamo-nos com um ente querido que não sabe o nosso nome ou quem somos (o menos importante), não identifica a localização de uma dor, é capaz de passar 3 dias sem dormir, quando dorme, … parece um morto. As faculdades vão desaparecendo e nós, impotentes. O mesmo se passou com o cancro do meu pai: impotentes.

A ambos de nada adianta a medicação para a ansiedade ou para dormir. Há muito que o thriller começou e quando vislumbramos o horizonte, espelha-se um medo maior.

Opinião – The Keepers

7.ª arte, artigo, opinião

   The Keepers é a mais recente série/documentário/drama criminal apresentado no serviço Netflix, com 7 episódios, acerca do misterioso assassinato da freira Cathy Cesnik, há 5 décadas atrás.

   Até à atualidade, ainda não há certezas. Somente nos anos 90, algumas alunas desta freira, também professora de inglês do ensino secundário, começaram a dirigir-se aos órgãos idóneos, por forma a encontrar alguma tranquilidade e justiça, apresentando os seus depoimentos, que nos são apresentados, de forma cruzada, por duas antigas alunas, agora jornalistas criminais.

   Em causa estão os alegados abusos sexuais e violações que se verificaram em Colégios Católicos desde, pelo menos, a 2.ª metade dos anos 60, em Baltimora, nos EUA. As referências compreendem os anos de 1968 a 1972, e as práticas algo hediondas  de padres, com o conhecimento de estruturas superiores e o envolvimento de outros níveis de referência na sociedade, junto a adolescentes desprotegidas.

   Uma freira meiga e compreensiva, contrastando com as restantes colegas de profissão, ao ouvir as alunas abusadas e com a noção do que se passava naquelas instituições, supostamente procurou denunciar o caso. Este foi o mote para que a sua morte fosse organizada e levada a cabo, de forma inusitada, macabra e sem que até à atualidade se saiba exatamente o que aconteceu. Pelo exposto, esta tentativa de denúncia não passa de uma hipótese. Também, ao longo da série, as acusações feitas, com documentos e fotografias, não contam com a defesa dos acusados, todos já desaparecidos. Porém, todos nós já ouvimos falar acerca de histórias deste género, o que dificulta o ato de “duvidar”.

   Algumas das confissões das antigas alunas abusadas têm uma carga emocional e dramática bastante fortes. Se verdadeiras, é louvável como conseguiram refazer as suas vidas. Do outro lado, aquelas que nunca falaram e que certamente refugiaram-se nas drogas ou no suicídio.

Leituras complementares, aqui e aqui.

Sonhos Desencontrados

diário, fotografia

Cada dia que passa, constato e vejo-me obrigado a assumir os meus sonhos desencontrados.

Relativamente a este espaço, creio ter findado a sua validade. Mas sou feito de incertezas…

Chove by Paulo Vasco