There’s no Age for Dancing

7.ª arte

 

Apesar do título em língua inglesa, um produto 100% Português.

 

Podia muito bem ser uma história de amor e ternura entre avô e neto e, na realidade, não foge muito disso. O filme reúne o “pai do sapateado”, Michel, e uma das maiores esperanças no ballet, Francisco. Em palco, Michel anula a gravidade numa dança leve e intemporal, num registo que cala a sua idade. Francisco move-se com a maturidade que ainda não tem, em coordenações certas e infalíveis, plenas de emoção. Juntos, destronam padrões e preconceitos num aplauso prolongado por uma admiração mútua, sublinhando o maior dos ensinamentos: para a dança não há idade.

Luísa Sobral – My Man

música, música portuguesa

 

Letra e música de Luísa Sobral.

 

I don’t know why
he left me crying
he left me feeling so blue
my man has left me moaning
a love so deep and true
I don’t know why
he left me hanging
didn’t even say goodbye
my man has left this morning
has left me here to die
But it has been said
again and again
that they all come back
once they have tasted the sand
I don’t know why
he left me wondering
wondering what I had done
my man has left this morning
to be the men of another woman

 

Gala

educação, humor

      Não, não se trata da gala dos óscares.

Na verdade, e para disseminar um pouco de humor neste mundo tão inóspito, trouxe-vos este tema por forma a partilhar um momento divertido com um dos meus alunos.

Para ele, o macho da galinha era o galo, mas a fêmea do galo era … a gala! E assim foi, durante uns dois minutos. Afinal, quem manda a nossa língua ter tanta regra e fazer pensar?

Rodrigo Serrão – Swallows Nest

música, música portuguesa

 

“Há algo que reconhecemos sempre neste sentir português… Não se reduz às características de uma linguagem musical e está muito para lá dos instrumentos que a tocam. Na verdade está em todo o lado: na terra, na água, nos silêncios, nos olhares e nas palavras e, para nós, traduz-se sobretudo entre pausas, na escolha segura de certas notas. Habita e atravessa-nos: sem sabermos muito bem de onde vem mas com a clara noção de onde está, ao que soa e para onde nos leva… e leva-nos para casa, sempre.
Por isso este repertório.
São assim as coisas… nesta língua ou noutras, sempre as mesmas, sempre as nossas: as noites de Verão e as tardes de Primavera… os campos, as amoras e as silvas…. as casas e os becos, os bairros, os barcos e as traineiras, as gaivotas e o Atlântico… os amores e as paixões… os rebanhos, os cães, os cavalos e a campina…ou a planície e o horizonte! O doirado do trigo ou o cinzento do granito… o orvalho pela manhã… o pôr-de-cada-sol e a saudade.
Fomos sempre assim, somos esta gente e sentimos desta maneira. É daqui que vem esta música.”

Rodrigo Serrão

Falhas na educação sexual no nosso país

educação

 

Do programa da TSF, Pais e Filhos, após ouvir as conclusões da psicóloga, não posso estar mais de acordo. Pessoalmente, na minha experiência profissional, abordo tais temas no 6.º ano em ciências naturais, não obstante alguns dos conteúdos não fazerem parte do programa ou dos manuais escolares. Por vezes, tal implica alguns dissabores…

Do Festival da Canção 2017

música, música portuguesa

Gostei ainda das seguintes músicas e interpretações:

Dont’t Walk Away

Gente Bestial

Viva La Diva

 

Amar pelos dois

música, música portuguesa

Ontem, ao contrário do que vem sendo hábito há anos, assisti ao Festival da Canção. Curiosamente, gostei do tema elegido para representar, em maio, o nosso país. Poesia, um chorinho com retoques de música brasileira antiga, uma expressão artística,… Amar pelos Dois, cantado por Salvador Sobral e com letra da sua irmã.

 

 

Letra

 

Se um dia alguém, perguntar por mim
Diz que vivi para te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei, que não se ama sozinho
Talvez devagarinho, possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei, que não se ama sozinho
Talvez devagarinho, possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração, pode amar pelos dois

Sarah McLachlan – Fallen

música

 

Letra

Heaven bend to take my hand
And lead me through the fire
Be the long awaited answer
Toa long and painful fight

Truth be told I’ve tried my best
But somewhere along the way
I got caught up in all there was to offer
And the cost was so much more than I could bear

Though I’ve tried, I’ve fallen…
I have sunk so low
I messed up
Better I should know
So don’t come round here
And tell me I told you so…

We all begin with good intent
Love was raw and young
We believed that we could change ourselves
THe past could be undone
But we carry on our backs the burden
Time always reveals
In the lonely light of morning
In the wound that would not heal
It’s the bitter taste of losing everything
That I’ve held so dear.

Os Fortes ou Os Fracos?

diário, escrita, reflexão

      Nunca escondi que em criança e adolescente fui vítima de bullying. Na altura, tal não tinha nome. Quantas vezes, em algumas situações, na escola, adultos, regra geral homens nos seus 40-50 anos, fingiam não ver os abusos dos outros alunos? E riam… Recordar ainda dói.

      Compreendo que muitas eram as minhas diferenças: aspeto totalmente nórdico, gordo, bom aluno, não sabia (nem sei!) jogar futebol, preferia as músicas e filmes desconhecidos pela maioria, gostava de ler, brincava com as meninas e com os mais pobres ou ricos, tinha vocação para o teatro e escrita e nenhuma tendência para educação física ou madeiras (que horror!). Adorava perfumes (ainda gosto), viajava por mundos fictícios e compreendia os problemas mais complexos dos amigos. Os meus pais trabalhavam e quando comprava roupas, estas eram de qualidade (não se leia de marca e com frequência, mas as necessárias). Naqueles tempos, poucos eram os pais que trabalhavam. Regra geral, a mãe cuidava da casa.

     Na adolescência, sem entender, e graças a um artigo de uma revista recém chegada a Portugal, compreendi que estava a ser sexualmente assediado, com uma prima, durante a aula de madeiras. Conseguimos nada sofrer, a não ser uma nota nota negativa no 2.º período. Não a mantivemos no 3.º porque conseguimos a nota máxima na disciplina com a qual aquela fazia média. Tanto há a dizer…

      Como professor, foi na passada quinta-feira que fomos alertados, na nossa sala de aula, por duas auxiliares, para o comportamento de dois alunos durante o intervalo de dez minutos. Congelei e senti-me a arder. Crianças de 8 e 9 anos colocaram a cabeça na sanita de um menino de 6. Como se não bastasse, seguiu-se um pé. Outro aluno, da mesma turma, assistiu a tudo e nada disse. Queria congratular-se culpando, em primeira mão, os colegas.

      Interrogo-me, qual é o futuro da humanidade? Ah, estes meninos não têm problemas familiares, não vivem em bairros sociais nem são carenciados.

 

Inspiro.

Sou invadido por receios e incertezas que parecem percorrer, inclusive, o diafragma. Ultimamente, dormir não tem sido fácil. Confiar no futuro também não.

Os meus pensamentos têm sido invadidos por questões de puro existencialismo. Por muito que me esforce, continuo sem entender qual é a nossa missão no mundo, o que nos traz, o que nos leva, onde começa e onde acaba a essência de cada um de nós. Por vezes, a falta de fé assusta-me. Poderá a Bíblia ter sido escrita por grandes pensadores?

Constato que, caso a vida siga o seu percurso “normal”, um dia ficarei sozinho neste mundo cheio de gente. Sem armas, desprotegido, fruto de uma adolescência que não pedi.

Qual é o sentido e o significado que se deve impor ou desejar da vida?

diário