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Bem-vindo ao meu espaço. Por vezes doce, por vezes ácido.

Sempre crítico e reflexivo. Embora procure não ser injusto, ao longo destes anos, ao reler-me, reparo que nem sempre consigo alcançar este meu objetivo. A escrita acalma e lava-me a alma.

Por aqui, encontra artigos alguns artigos de imprensa devidamente identificados, fotografia, música e algum cinema. Por questões profissionais e de paixão, a educação é um ponto quase sempre presente.

Caso tenha sugestões, críticas ou pretenda apenas deixar o seu “Olá”, não existe em preencher o seguinte formulário.

Desde já, o meu obrigado.

Não, não é cansaço

Não, não é cansaço…
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…

Não, cansaço não é…
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,

Fernando Pessoa, a Portuguese poet, drawed.

Image via Wikipedia

Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como…
Sim, ou por sofrer como…
Isso mesmo, como… Como quê?…
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!…

Álvaro de Campos

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