Opinião sobre a série “História de um Clã”

7.ª arte, opinião, reflexão

   A sociedade está repleta de psicopatas. Na sua maioria, esta patologia não foi diagnosticada ou nem é acompanhados pelas diferentes instâncias sociais e de saúde.

      Em “História de um Clã” (El Clan, 2015), filme que se tornou série da Netflix dirigida por Luis Ortega, são dados contributos para a compreensão desta perturbação da personalidade e do comportamento. Como ponto de partida, a história da família Puccio que atormentou Buenos Aires na década de 80.

“Arquímedes (Guillermo Francella) é o patriarca da família Puccio, um homem singular que varre a calçada todos os dias e cumprimenta simpaticamente os vizinhos de San Isidro, nos arredores de Buenos Aires. O filho mais velho, Alejandro (Peter Lanzani) é um popular jogador de râguebi. A família conta ainda com outro rapaz, que no decorrer da ação revela-se muito similar ao pai, apreciando toda a dinâmica associada aos raptos e mortes, e duas meninas; sempre unidos e fazendo as suas orações antes de cada refeição.

O que a sociedade de Buenos Aires de então não imaginava é que, durante anos, o sotão da residência dos Puccio estave constantemente ocupado. Arquímedes valeu-se da experiência como ex-agente da ditadura para chefiar esquema de sequestro de familiares de empresários.

O filho primogénito foi obrigado pelo pai a participar dos sequestros, entre eles o de um amigo do clube de râguebi. Alexandre vê-se em crise, contrariado e profundamente angustiado pelas pressões de um pai absolutamente manipulador e maquiavélico.

Embora fingissem uma vida normal e de desconhecimento do que estava a acontecer, a família ouvia os gritos das pessoas sequestradas e torturadas por Arquímedes e seus cúmplices. Estas pessoas acabavam mortas, mesmo após o pagamento do resgate pelos familiares”

Extraído e adaptado por Paulo Vasco de Wikipedia, às 24h de 30/03/17

Assista a uma síntese dos atos praticados aqui. e/ou aqui

      Esta série conta com interpretações muito boas, um bom argumento e reconstituição histórica. Boa banda sonora, ainda que nem sempre, nos que aos temas em inglês diz respeito, devidamente contextualizada nos anos 80. Possibilita a reflexão e discussão acerca de temáticas atuais. Em alguns aspetos românticos ou humorísticos, remeteu-me para “Como Água para Chocolate“.

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Os Fortes ou Os Fracos?

diário, escrita, reflexão

      Nunca escondi que em criança e adolescente fui vítima de bullying. Na altura, tal não tinha nome. Quantas vezes, em algumas situações, na escola, adultos, regra geral homens nos seus 40-50 anos, fingiam não ver os abusos dos outros alunos? E riam… Recordar ainda dói.

      Compreendo que muitas eram as minhas diferenças: aspeto totalmente nórdico, gordo, bom aluno, não sabia (nem sei!) jogar futebol, preferia as músicas e filmes desconhecidos pela maioria, gostava de ler, brincava com as meninas e com os mais pobres ou ricos, tinha vocação para o teatro e escrita e nenhuma tendência para educação física ou madeiras (que horror!). Adorava perfumes (ainda gosto), viajava por mundos fictícios e compreendia os problemas mais complexos dos amigos. Os meus pais trabalhavam e quando comprava roupas, estas eram de qualidade (não se leia de marca e com frequência, mas as necessárias). Naqueles tempos, poucos eram os pais que trabalhavam. Regra geral, a mãe cuidava da casa.

     Na adolescência, sem entender, e graças a um artigo de uma revista recém chegada a Portugal, compreendi que estava a ser sexualmente assediado, com uma prima, durante a aula de madeiras. Conseguimos nada sofrer, a não ser uma nota nota negativa no 2.º período. Não a mantivemos no 3.º porque conseguimos a nota máxima na disciplina com a qual aquela fazia média. Tanto há a dizer…

      Como professor, foi na passada quinta-feira que fomos alertados, na nossa sala de aula, por duas auxiliares, para o comportamento de dois alunos durante o intervalo de dez minutos. Congelei e senti-me a arder. Crianças de 8 e 9 anos colocaram a cabeça na sanita de um menino de 6. Como se não bastasse, seguiu-se um pé. Outro aluno, da mesma turma, assistiu a tudo e nada disse. Queria congratular-se culpando, em primeira mão, os colegas.

      Interrogo-me, qual é o futuro da humanidade? Ah, estes meninos não têm problemas familiares, não vivem em bairros sociais nem são carenciados.

 

A dimensão das saudades do M.

diário, escrita, reflexão

   Durante a aula, numa das minhas procuras pelo equilíbrio que só aquele anjo me proporciona, desafiei o M.

— Tens muitas saudades do pai?

— Claro. Ele está tão longe! Não o posso dividir contigo, mas posso ser teu irmão e dividimos o meu quarto.

— Ok, fico muito contente. Como sabes, o professor já não tem pai e é sempre bom ter um irmão, mas podes continuar com o teu quarto tal e qual como está.  (Ele sorriu!) Somos irmãos e amigos. Eu tenho de continuar na minha casa pois cuido da minha mãe e avó. Sabes, quando mais novo do que tu, também o meu pai esteve no estrangeiro, pelo que sei o que sentes. Sempre que pretendas podes escrever uma mensagem ao professor. Se pudesses quantificar, qual o tamanho ou a dimensão das tuas saudades?

M. não respondeu e regressou à leitura do livro.

— Então, não respondes à pergunta do professor?

Não sei responder! – disse com uma expressão triste por não conseguir satisfazer o que lhe pedira.

— Porquê?

— Então, elas são tantas que não tenho braços do tamanho dessas saudades.

Senti-me comovido com aquelas palavras, raras nos nossos dias. Contive uma lágrima, um forte abraço e um beijo na testa. Infelizmente, nos nossos dias, neste país, qualquer gesto pode ser confundido com pedofilia.

— Dizes coisas tão bonitas M.! O pai também tem saudades tuas e podes sempre “matá-las” pelo Skype. Espero que a vida te mantenha assim, doce, criativo e meigo.

   Pena a vida ser cruel e não podermos acompanhar as transformações das nossas crianças/adolescentes.

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Foto de Pixabay

A Solidão dos Avós

diário, reflexão

 

      Neste artigo apresento-vos uma animação que retrata a dura e  crescente realidade dos nossos dias, a solidão dos avós. Obviamente, não apenas a solidão destes, mas também a da generalidade dos mais velhos e a dos mais novos, uma vez que esta dimensão tem vindo a assombrar diferentes níveis etários, em função das fragilidades decorrentes. Com o decorrer dos tempos, temos erguido paredões emocionais, egocentristas e de nula compaixão. Como tal, questiono a eventual evolução, a diferentes níveis e contextos, de que tanto se fala.

   Como é óbvio, não somos perfeitos, é certo, mas tal não invalida o pensamento, procesos dialéticos, a tomada de medidas inteligentes,…  O que nos impede de refletir acerca do futuro? O que nos impede de projetarmo-nos no outro? O que é que nos engrandece quando nos regozijamos perante a dor alheia?

Boas Festas

artigo, reflexão

Que a paz e a compreensão reinem nos nossos corações neste Natal e no Ano Novo que se aproxima.

Boas Festas.

 

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O Natal é das crianças. Tentemos dar um sorriso em cada dia de 2017.

Darko – Freakshow Divine

música, música portuguesa, reflexão

 

Embora não aprecie a música, o videoclipe merece destaque pelo conteúdo e mensagem.

A narrativa do videoclipe, divulgado esta sexta-feira, conta a história de uma vítima de transfobia na escola e na rua. A vítima envolve-se numa discussão com o pai, sai de casa e é alvo de uma agressão na rua. É depois, no palco, que sara as feridas. É este o local de expressão da sua transformação enquanto artista e mulher sedutora de um dos seus bullies.

Nas redes sociais o cantor declarou: “Que a arte consiga abrir consciências e fomentar mais humanismo e menos desamor pelo próximo, apreendendo nós a querer para os outros o que eles querem para si mesmos“. E eu, concordo. Talvez este seja um dos maiores princípios que retive das aulas de História.

Disseram-me “O pior vem depois”

diário, escrita, reflexão

A morte de um doente terminal desencadeia sentimentos inesperados nos familiares cuidadores. Na verdade, nunca estamos preparados para a morte, sobretudo quando esta é a daqueles que sempre fizeram parte da nossa vida e que partem demasiado cedo.

 

 

 

      Até então, não compreendia o significado da expressão “o pior vem depois”. Pensava que se referiam ao momento em que o caixão é lançado para aquela cova funda e sabe-se que o rosto jamais será visto. 

Como estava enganado. Neste caso, a morte trouxe um manto de alívio. O da dor! Querer que um doente terminal de mieloma múltiplo, em estado de decomposição continue a viver, é puro egoísmo. 
      A terra cobriu o corpo nobremente adornado e preparado. As lágrimas não lavaram o rosto. Já em casa, deitados na cama, pela primeira vez, eu e a minha mãe tivemos a perfeita noção de que estávamos sós no mundo, entregues um ao outro, com a avó doente de Alzheimer a nosso cuidado. Receámos não ser capazes. 
      Hoje faz dois anos que marcam aquele dia. Resta-nos o “fazes falta” e os momentos ainda preenchidos em sonhos, por vezes convertidos em pesadelos.

 

Paulo Vasco

Fallin’ Floyd

7.ª arte, reflexão

Quando, de repente, a nossa vida adquire tons escuros, há que superar e recomeçar.

Review – MEU for MEN de Cristina Ferreira

artigo, opinião, reflexão

   Cristina Ferreira, apresentadora de sucesso da TVI, admirada por muitos face à sua trajetória de sucesso, desde a  trivial alfacinha até uma mulher de sucesso, é o principal rosto português da marca LR . Desta parceria, surgiu o perfume MEU by Cristina Ferreira, desenvolvido entre a apresentadora e a marca citada, LR Health & Beauty Systems.

   A multinacional alemã, perante o sucesso deste perfume em Portugal, deu início à comercialização da fragrância noutros mercados da Europa. Desta forma, Cristina Ferreira (CF) e a sua fragrância, encontram-se lado a lado de outros nomes sonantes, como Bruce Willis, Karolina Kurkova e Guido Maria, entre outros.

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No dia 7 de outubro deste mês, CF lançou o MEU for MEN, dando continuidade à parceria com a LR, perfume que é definido como uma “experiência sensorial”.

 

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Uma fragrância sedutoramente masculina, elegante, expressiva e intensa para o homem moderno e cosmopolita. Sempre a par das novas tendências.

Na nota de topobergamota, tangerina e coentro, numa brisa fresca e espontânea de carácter versátil.
Revela-se depois, resina elemi, cardamomo e lírio do vale, dispersando sedução e elegância.
Termina num eflúvio quente e sensual de madeira de cedro, madeira de sândalo e musk.

De acordo com a informação divulgada pela LR, no cartaz promocional.

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MEU for MEN numa fotografia de Paulo Vasco

O meu parecer

   MEU for Men é um perfume razoável, de curta duração, o que em meu entender não justifica o investimento de €39,90 (PVP, podendo encontrar valores mais baixos mas nunca inferiores a €29, conforme o revendedor). De intensidade leve/mediana, é suficientemente discreto, podendo ser detetado em momentos mais íntimos. Com classe e de embalagem com alguma beleza, a duração da fragrância é o ponto fraco. Contudo, confesso aguardar outras vertentes deste perfume, capazes de colmatar as “falhas” da durabilidade e intensidade da fragrância. De certa forma, confesso que esperava um perfume para a noite, outonal e mais amadeirado. Continuo fã dos económicos LR Classic for men, cujas melodias das notas são capazes de se adaptarem a diferentes contextos, não evidenciando a duração de um longo dia de trabalho, seguido de um momento intimista.

Da frase de divulgação desta fragrância, expressa na citação deste post, discordo do recurso ao termo “intensa”.

E você

Se já experimentou este perfume, qual é a sua opinião?

Para refletir – A Opinião de Graves

artigo, educação, reflexão

Um dia, perguntaram a Graves: ”Acredita que um professor pode fazer com que uma criança escreva bem se ele não o faz?

Graves respondeu: “Você não faz com que as crianças leiam, e não faz com que elas escrevam. A qualidade de um professor de topo sempre foi o do convite. Ouve, sem agenda, exceto para apontar que existe um lugar maravilhoso onde ir. E os convites são bastante variados, dependendo das crianças.”

 

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