O Sonhos Desencontrados nunca foi um projeto. Nasceu como consequência dos tempos encantados de partilha e respeito na blogosfera. O meu primeiro espaço perdi-o para a microsoft. Nas Minhas Gavetas, assim se chamava. O meu melhor blogue de sempre.

É chegado o momento de por um ponto final neste blogue. Quem sabe dar um tempo…

Atualmente, estou em Insensato

Lá espero por vocês. Serão sempre bem-vindos.

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diário

Tenho andado por aqui

escrita

Insensato

Quando puderem, façam-me uma visita.

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Opinião: Please Like Me

artigo, escrita, opinião

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   Please Like Me (2013-2016) é uma série australiana, atualmente disponível na Netflix Portugal.

Trata-se de uma comédia irreverente, em 4 temporadas, onde o humor mistura-se com o drama. Nela, a homossexualidade e a deficiência mental, quantas vezes por nós abnegada, são mostradas com naturalidade, assim como as relações humanas frágeis.

Em cada episódio, um genérico diferente. O 1.º episódio agarra-nos do princípio ao fim e ao longo das temporadas, deparamo-nos com vários momentos durante os quais entramos na dualidade de querer rir e… chorar. Todos os episódios têm cerca de 25 minutos e as personagens são deveras envolventes.

Pessoalmente, não gostei muito da 2.ª temporada. Talvez pela minha falta de humor de então. Um momento a recordar, aqui.

Já agora, Please, Like Me.

#netflixportugal

#séries

 

Cuidadores sempre sós

diário

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Não é fácil.

Ninguém disse que seria fácil, mas também ninguém disse que seria tão difícil.

Patético. Tudo soa a patético.

O avançar da Doença de Alzheimer que afeta a minha avó, há 6 anos, destrói pedaços da minha mãe, principal cuidadora e meus. Subitamente, deparamo-nos com um ente querido que não sabe o nosso nome ou quem somos (o menos importante), não identifica a localização de uma dor, é capaz de passar 3 dias sem dormir, quando dorme, … parece um morto. As faculdades vão desaparecendo e nós, impotentes. O mesmo se passou com o cancro do meu pai: impotentes.

A ambos de nada adianta a medicação para a ansiedade ou para dormir. Há muito que o thriller começou e quando vislumbramos o horizonte, espelha-se um medo maior.

Sonhos Desencontrados

diário, fotografia

Cada dia que passa, constato e vejo-me obrigado a assumir os meus sonhos desencontrados.

Relativamente a este espaço, creio ter findado a sua validade. Mas sou feito de incertezas…

Chove by Paulo Vasco

Momento

diário, escrita, memórias

 

Quantas vezes acordo e penso que tudo não passou de um pesadelo. Logo a realidade é chamada a mim.

Efémera existência.

Dura realidade.

Caminho rumo à solidão de dias incógnitos e assustadores.

Assim…

 

 

Prometo não falar de amor de gostar e sentir

Portanto não vou rimar com dor um mentir

Joga-se pelo prazer de jogar e até perder

Invadem-se espaços trocam-se beijos sem escolher

Homens temporariamente sós / que cabeças no ar

 

 

Não retratos de solidão interior

Não há qualquer tragédia / Mas um vinho a beber

Partidas regressos conquistas a fazer

Tudo anotado numa memória que quer esquecer

 

 

Homens sempre sós preferem perder

 

 

Homens sempre sós são bolas de ténis no ar

Muito abatidos saltam e acabam por enganar

Homens sempre sós nunca conseguem casar

Opinião sobre a série “História de um Clã”

7.ª arte, opinião, reflexão

   A sociedade está repleta de psicopatas. Na sua maioria, esta patologia não foi diagnosticada ou nem é acompanhados pelas diferentes instâncias sociais e de saúde.

      Em “História de um Clã” (El Clan, 2015), filme que se tornou série da Netflix dirigida por Luis Ortega, são dados contributos para a compreensão desta perturbação da personalidade e do comportamento. Como ponto de partida, a história da família Puccio que atormentou Buenos Aires na década de 80.

“Arquímedes (Guillermo Francella) é o patriarca da família Puccio, um homem singular que varre a calçada todos os dias e cumprimenta simpaticamente os vizinhos de San Isidro, nos arredores de Buenos Aires. O filho mais velho, Alejandro (Peter Lanzani) é um popular jogador de râguebi. A família conta ainda com outro rapaz, que no decorrer da ação revela-se muito similar ao pai, apreciando toda a dinâmica associada aos raptos e mortes, e duas meninas; sempre unidos e fazendo as suas orações antes de cada refeição.

O que a sociedade de Buenos Aires de então não imaginava é que, durante anos, o sotão da residência dos Puccio estave constantemente ocupado. Arquímedes valeu-se da experiência como ex-agente da ditadura para chefiar esquema de sequestro de familiares de empresários.

O filho primogénito foi obrigado pelo pai a participar dos sequestros, entre eles o de um amigo do clube de râguebi. Alexandre vê-se em crise, contrariado e profundamente angustiado pelas pressões de um pai absolutamente manipulador e maquiavélico.

Embora fingissem uma vida normal e de desconhecimento do que estava a acontecer, a família ouvia os gritos das pessoas sequestradas e torturadas por Arquímedes e seus cúmplices. Estas pessoas acabavam mortas, mesmo após o pagamento do resgate pelos familiares”

Extraído e adaptado por Paulo Vasco de Wikipedia, às 24h de 30/03/17

Assista a uma síntese dos atos praticados aqui. e/ou aqui

      Esta série conta com interpretações muito boas, um bom argumento e reconstituição histórica. Boa banda sonora, ainda que nem sempre, nos que aos temas em inglês diz respeito, devidamente contextualizada nos anos 80. Possibilita a reflexão e discussão acerca de temáticas atuais. Em alguns aspetos românticos ou humorísticos, remeteu-me para “Como Água para Chocolate“.

Os Fortes ou Os Fracos?

diário, escrita, reflexão

      Nunca escondi que em criança e adolescente fui vítima de bullying. Na altura, tal não tinha nome. Quantas vezes, em algumas situações, na escola, adultos, regra geral homens nos seus 40-50 anos, fingiam não ver os abusos dos outros alunos? E riam… Recordar ainda dói.

      Compreendo que muitas eram as minhas diferenças: aspeto totalmente nórdico, gordo, bom aluno, não sabia (nem sei!) jogar futebol, preferia as músicas e filmes desconhecidos pela maioria, gostava de ler, brincava com as meninas e com os mais pobres ou ricos, tinha vocação para o teatro e escrita e nenhuma tendência para educação física ou madeiras (que horror!). Adorava perfumes (ainda gosto), viajava por mundos fictícios e compreendia os problemas mais complexos dos amigos. Os meus pais trabalhavam e quando comprava roupas, estas eram de qualidade (não se leia de marca e com frequência, mas as necessárias). Naqueles tempos, poucos eram os pais que trabalhavam. Regra geral, a mãe cuidava da casa.

     Na adolescência, sem entender, e graças a um artigo de uma revista recém chegada a Portugal, compreendi que estava a ser sexualmente assediado, com uma prima, durante a aula de madeiras. Conseguimos nada sofrer, a não ser uma nota nota negativa no 2.º período. Não a mantivemos no 3.º porque conseguimos a nota máxima na disciplina com a qual aquela fazia média. Tanto há a dizer…

      Como professor, foi na passada quinta-feira que fomos alertados, na nossa sala de aula, por duas auxiliares, para o comportamento de dois alunos durante o intervalo de dez minutos. Congelei e senti-me a arder. Crianças de 8 e 9 anos colocaram a cabeça na sanita de um menino de 6. Como se não bastasse, seguiu-se um pé. Outro aluno, da mesma turma, assistiu a tudo e nada disse. Queria congratular-se culpando, em primeira mão, os colegas.

      Interrogo-me, qual é o futuro da humanidade? Ah, estes meninos não têm problemas familiares, não vivem em bairros sociais nem são carenciados.

 

Inspiro.

Sou invadido por receios e incertezas que parecem percorrer, inclusive, o diafragma. Ultimamente, dormir não tem sido fácil. Confiar no futuro também não.

Os meus pensamentos têm sido invadidos por questões de puro existencialismo. Por muito que me esforce, continuo sem entender qual é a nossa missão no mundo, o que nos traz, o que nos leva, onde começa e onde acaba a essência de cada um de nós. Por vezes, a falta de fé assusta-me. Poderá a Bíblia ter sido escrita por grandes pensadores?

Constato que, caso a vida siga o seu percurso “normal”, um dia ficarei sozinho neste mundo cheio de gente. Sem armas, desprotegido, fruto de uma adolescência que não pedi.

Qual é o sentido e o significado que se deve impor ou desejar da vida?

diário

A comida mastigada

diário, humor, memórias

— O que é a combustão?

— É comer comida mastigada! – respondeu o aluno, tendo entendido, pensamos nós, “mastigação” no lugar de “combustão”.