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Opinião: Please Like Me

artigo, escrita, opinião

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   Please Like Me (2013-2016) é uma série australiana, atualmente disponível na Netflix Portugal.

Trata-se de uma comédia irreverente, em 4 temporadas, onde o humor mistura-se com o drama. Nela, a homossexualidade e a deficiência mental, quantas vezes por nós abnegada, são mostradas com naturalidade, assim como as relações humanas frágeis.

Em cada episódio, um genérico diferente. O 1.º episódio agarra-nos do princípio ao fim e ao longo das temporadas, deparamo-nos com vários momentos durante os quais entramos na dualidade de querer rir e… chorar. Todos os episódios têm cerca de 25 minutos e as personagens são deveras envolventes.

Pessoalmente, não gostei muito da 2.ª temporada. Talvez pela minha falta de humor de então. Um momento a recordar, aqui.

Já agora, Please, Like Me.

#netflixportugal

#séries

 

Opinião – The Keepers

7.ª arte, artigo, opinião

   The Keepers é a mais recente série/documentário/drama criminal apresentado no serviço Netflix, com 7 episódios, acerca do misterioso assassinato da freira Cathy Cesnik, há 5 décadas atrás.

   Até à atualidade, ainda não há certezas. Somente nos anos 90, algumas alunas desta freira, também professora de inglês do ensino secundário, começaram a dirigir-se aos órgãos idóneos, por forma a encontrar alguma tranquilidade e justiça, apresentando os seus depoimentos, que nos são apresentados, de forma cruzada, por duas antigas alunas, agora jornalistas criminais.

   Em causa estão os alegados abusos sexuais e violações que se verificaram em Colégios Católicos desde, pelo menos, a 2.ª metade dos anos 60, em Baltimora, nos EUA. As referências compreendem os anos de 1968 a 1972, e as práticas algo hediondas  de padres, com o conhecimento de estruturas superiores e o envolvimento de outros níveis de referência na sociedade, junto a adolescentes desprotegidas.

   Uma freira meiga e compreensiva, contrastando com as restantes colegas de profissão, ao ouvir as alunas abusadas e com a noção do que se passava naquelas instituições, supostamente procurou denunciar o caso. Este foi o mote para que a sua morte fosse organizada e levada a cabo, de forma inusitada, macabra e sem que até à atualidade se saiba exatamente o que aconteceu. Pelo exposto, esta tentativa de denúncia não passa de uma hipótese. Também, ao longo da série, as acusações feitas, com documentos e fotografias, não contam com a defesa dos acusados, todos já desaparecidos. Porém, todos nós já ouvimos falar acerca de histórias deste género, o que dificulta o ato de “duvidar”.

   Algumas das confissões das antigas alunas abusadas têm uma carga emocional e dramática bastante fortes. Se verdadeiras, é louvável como conseguiram refazer as suas vidas. Do outro lado, aquelas que nunca falaram e que certamente refugiaram-se nas drogas ou no suicídio.

Leituras complementares, aqui e aqui.

Opinião sobre a série “História de um Clã”

7.ª arte, opinião, reflexão

   A sociedade está repleta de psicopatas. Na sua maioria, esta patologia não foi diagnosticada ou nem é acompanhados pelas diferentes instâncias sociais e de saúde.

      Em “História de um Clã” (El Clan, 2015), filme que se tornou série da Netflix dirigida por Luis Ortega, são dados contributos para a compreensão desta perturbação da personalidade e do comportamento. Como ponto de partida, a história da família Puccio que atormentou Buenos Aires na década de 80.

“Arquímedes (Guillermo Francella) é o patriarca da família Puccio, um homem singular que varre a calçada todos os dias e cumprimenta simpaticamente os vizinhos de San Isidro, nos arredores de Buenos Aires. O filho mais velho, Alejandro (Peter Lanzani) é um popular jogador de râguebi. A família conta ainda com outro rapaz, que no decorrer da ação revela-se muito similar ao pai, apreciando toda a dinâmica associada aos raptos e mortes, e duas meninas; sempre unidos e fazendo as suas orações antes de cada refeição.

O que a sociedade de Buenos Aires de então não imaginava é que, durante anos, o sotão da residência dos Puccio estave constantemente ocupado. Arquímedes valeu-se da experiência como ex-agente da ditadura para chefiar esquema de sequestro de familiares de empresários.

O filho primogénito foi obrigado pelo pai a participar dos sequestros, entre eles o de um amigo do clube de râguebi. Alexandre vê-se em crise, contrariado e profundamente angustiado pelas pressões de um pai absolutamente manipulador e maquiavélico.

Embora fingissem uma vida normal e de desconhecimento do que estava a acontecer, a família ouvia os gritos das pessoas sequestradas e torturadas por Arquímedes e seus cúmplices. Estas pessoas acabavam mortas, mesmo após o pagamento do resgate pelos familiares”

Extraído e adaptado por Paulo Vasco de Wikipedia, às 24h de 30/03/17

Assista a uma síntese dos atos praticados aqui. e/ou aqui

      Esta série conta com interpretações muito boas, um bom argumento e reconstituição histórica. Boa banda sonora, ainda que nem sempre, nos que aos temas em inglês diz respeito, devidamente contextualizada nos anos 80. Possibilita a reflexão e discussão acerca de temáticas atuais. Em alguns aspetos românticos ou humorísticos, remeteu-me para “Como Água para Chocolate“.

Opinião: Série “3 Por Cento”

artigo, escrita, opinião

O Mundo de Lá 

O Processo ainda não está concluído!

 

Este é um artigo de opinião alusivo à série 3% da Netflix, lançada em novembro e realizada no Brasil. Como principais intérpretes encontramos Bianca Comparato, João Miguel, Michel Gomes e Rodolfo Valente. A primeira temporada tem 8 episódios, estando já prevista a segunda. Relativamente ao género, este é o de ficção científica.

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3%

      No Brasil, depois do Apocalipse, numa região denominada Continente, a falta de tudo leva os jovens, quando concretizam 20 anos a procurar a mudança para o mundo de lá. Este chama-se Maralto, mas nem todos conseguem passar no “processo”. Os candidatos deparam-se com severas provas físicas e psíquicas, sendo avaliados por elementos do Processo.

      Considerei o 1.º episódio aborrecido. O meu interesse começou quando faltavam cerca de 20 minutos para este acabar, mantendo-se até ao fim da temporada. Até ao 8.º episódio não consegui deixar de dissociar a série da religião: Maralto correspondia ao Paraíso, o Processo aos nossos sacrifícios e o chefe do processo,  a um deus. Contudo, no 8.º episódio um ato deletou esta minha opinião…

      No decorrer das provas do Processo, somos chamados a refletir. Se estivéssemos fechados dentro de uma casa, ao estilo Big Brother, mas completamente trancados e com a comida racionada, dada em função do desempenho do grupo, qual seria o nosso comportamento? Daqui pode advir o que há de pior no humano? Outra questão, colocada ou que me surgiu foi, “as crianças são de todos nós ou só dos pais?”

      Para quem gosta de refletir, esta é a série ideal. Bem realizada e com boas interpretações. O guarda roupa é relativamente pobre (mas isso importa?) e os atores, na sua maioria, pouco conhecidos, mas com elevado desempenho. Para ver de uma vez só ou dividida em dois a três dias.

      A experimentar.

      Há quem tenha gostado muito e ficado fã, como eu! Confira o trailer.

 

A minha opinião – Filme Divinas (2016)

artigo, escrita, opinião

 

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Les Divines (2016)

      De agosto deste ano, Divinas está disponível no Netflix. É ainda um filme com a sua chancela, vencedor de um prémio no festival de Cannes. Tratando-se de cinema francês, não se destina a todos os públicos, desde a temática à escolha dos atores. No que me diz respeito, trata-se de uma obra de arte a utilizar e explorar com os alunos nas aulas de formação cívica. Isto numa perspetiva profissional, claro está!

      Os atores deste drama são pessoas comuns, magricelas, obesos, cabelos mal cortados, mal penteados,… Um retrato fiel dos nossos dias e do contexto da história. Na verdade, dado ter trabalhado com uma turma idêntica, em nada me foi difícil realizar a projeção para a história no início. Estamos num bairro da periferia e acompanhamos a vida de duas jovens em risco. De famílias disfuncionais, provavelmente emigrantes, de cor e de uma religião temida por muitos, a escola nada lhes diz. Perante os mestres, a postura é defensiva e agressiva. Há o desejo de ascender socialmente sem nada ou pouco fazer, na revolta face aos parcos salários praticados em muitas profissões, o que se reflete no baixo poder de compra e condições de vida muito agressivas, devido à crise que se vive em alguns países da Europa.

      O abandono escolar, o mundo da droga e os confrontos entre a polícia e os membros dos guetos/bairro são uma realidade das sociedades civilizadas, tão bem retratados em Divinas. A analisar e refletir.

      Como um toque de mágica, um amor platónico. Assim o expresso pela diferença de idades. A dança é a forma de transmitir todas as sequências de um ritual de acasalamento, assim como as emoções verbais ou não de duas personagens. Um dia, os caminhos podem divergir…
Assista ao trailer aqui.

Review – MEU for MEN de Cristina Ferreira

artigo, opinião, reflexão

   Cristina Ferreira, apresentadora de sucesso da TVI, admirada por muitos face à sua trajetória de sucesso, desde a  trivial alfacinha até uma mulher de sucesso, é o principal rosto português da marca LR . Desta parceria, surgiu o perfume MEU by Cristina Ferreira, desenvolvido entre a apresentadora e a marca citada, LR Health & Beauty Systems.

   A multinacional alemã, perante o sucesso deste perfume em Portugal, deu início à comercialização da fragrância noutros mercados da Europa. Desta forma, Cristina Ferreira (CF) e a sua fragrância, encontram-se lado a lado de outros nomes sonantes, como Bruce Willis, Karolina Kurkova e Guido Maria, entre outros.

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No dia 7 de outubro deste mês, CF lançou o MEU for MEN, dando continuidade à parceria com a LR, perfume que é definido como uma “experiência sensorial”.

 

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Uma fragrância sedutoramente masculina, elegante, expressiva e intensa para o homem moderno e cosmopolita. Sempre a par das novas tendências.

Na nota de topobergamota, tangerina e coentro, numa brisa fresca e espontânea de carácter versátil.
Revela-se depois, resina elemi, cardamomo e lírio do vale, dispersando sedução e elegância.
Termina num eflúvio quente e sensual de madeira de cedro, madeira de sândalo e musk.

De acordo com a informação divulgada pela LR, no cartaz promocional.

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MEU for MEN numa fotografia de Paulo Vasco

O meu parecer

   MEU for Men é um perfume razoável, de curta duração, o que em meu entender não justifica o investimento de €39,90 (PVP, podendo encontrar valores mais baixos mas nunca inferiores a €29, conforme o revendedor). De intensidade leve/mediana, é suficientemente discreto, podendo ser detetado em momentos mais íntimos. Com classe e de embalagem com alguma beleza, a duração da fragrância é o ponto fraco. Contudo, confesso aguardar outras vertentes deste perfume, capazes de colmatar as “falhas” da durabilidade e intensidade da fragrância. De certa forma, confesso que esperava um perfume para a noite, outonal e mais amadeirado. Continuo fã dos económicos LR Classic for men, cujas melodias das notas são capazes de se adaptarem a diferentes contextos, não evidenciando a duração de um longo dia de trabalho, seguido de um momento intimista.

Da frase de divulgação desta fragrância, expressa na citação deste post, discordo do recurso ao termo “intensa”.

E você

Se já experimentou este perfume, qual é a sua opinião?

Uma reflexão: O Circo das Borboletas

7.ª arte, educação, opinião, reflexão

 

Nestas semanas, tenho vindo a frequentar um curso de Coaching para professores.

Hoje, a formadora propôs a visualização e interpretação do filme O Circo das Borboletas, título que adotei da versão espanhola. Se de início pode parecer algo aborrecido, antiquado ou estranho, deixem que se dê o avanço da história.

A minha reflexão, do ponto de vista do coaching

 

Todos podemos voar como borboletas, mesmo sem órgãos de locomoção. Na verdade, quanto maior a luta, mais glorioso é o triunfo.
Em El Circo de La Mariposa assistimos a um coach de características inatas, desmistificando preconceitos, ao transformá-los em exemplos para tantos outros. Logo de início, ao contactar pela primeira vez com o Sr. sem os órgãos de locomoção desenvolvidos dentro dos parâmetros normais (deficiência motora), ao invés de uma aberração, o dono do circo estabeleceu uma relação de empatia. Por forma a operar a mudança em alguém desmotivado, desvalorizado e portador de deficiência, fez uso da palavra. Com o decorrer do tempo e ao contrário do que muitos esperavam, a performance do indivíduo, com objetivos e metas, evoluiu. Operou-se a transformação e o desenvolvimento, dado o potencial intrínseco, a confiança e a consciência.
Este coach, para além de ver, soube ouvir, acreditou e estabeleceu uma parceria. Em todos os momentos revelou segurança em si, coerência, proatividade, convicção, paciência e humildade. Face a alguém com uma história de vida de dor e asas cortadas, soube revelar competências relacionais e motivar. Constatou-se um processo transformacional resultante da parceria entre ambas as personagens, com a cumplicidade dos outros elementos do circo.

Ainda que portador de deficiência motora, algo tão nefasto na época retratada no filme, o coachee conseguiu encontrar as suas condições de equilíbrio. A “borboleta”, antes no casulo, ganhou asas e beleza, podendo disseminar lições de vida a outros reduzidos a nada, pela sociedade de então.

 

At the height of the Great Depression, the showman of a renowned circus discovers a man without limbs being exploited at a carnival sideshow, but after an intriguing encounter with the showman he becomes driven to hope against everything he has ever believed.

Director: Joshua Weigel
Writer: Joshua Weigel & Rebekah Weigel
Producers: Joshua Weigel, Rebekah Weigel, Angie Alvarez
Executive Producers: Jon & Esther Phelps, Jason Atkins, Nathan Christopher Haase, Bob Yerkes, Ed Vizenor & Nathan Elliott
Director of Photography: Brian Baugh
Production Designer: Yeva McCloskey
Editor: Chris Witt
Cast: Eduardo Verastegui, Nick Vujicic, Doug Jones, Matt Allmen, Mark Atteberry, Kirk Bovill, Lexi Pearl, Connor Rosen
Original Score: Timothy Williams (Composer)

 

AGIR ft. Regula- Deixa-te de merdas

artigo, educação, música portuguesa, opinião, reflexão

Atualmente, neste país de brandos e falsos costumes, assistimos a uma corrente de alguns pais que procuram “boicotar” o artista/banda Agir. Ontem, ao fim da noite, dei por mim a ler uma publicação contra o artista e a favor dos bons costumes. Um texto com argumentação mas de autor não identificado. Qual o valor? Artigo partilhado no facebook, no qual constatei que, como por magia, alguns pais aperceberam-se de que o conteúdo das letras e músicas não são adequadas para os filhos mais pequenos (nada contra, em alguns casos!). Mas quem disse que o artista tem como público-alvo o infantil? Estes mesmos pais estão habituados, na grande maioria dos intérpretes da atualidade, a verificar se consta a etiqueta/informação “Explicit Content” ou “Adult Content“, no CD ou MP3?

Não, não sou fã do Agir. Gosto de alguns temas e da musicalidade. Termos como “proibir”, assustam-me. Se em Portugal, considero ténue a democracia, apesar de ainda jovem, o regresso da censura é de todo caótico. E estes são dois conceitos que li, ao deparar-me com uma publicação no Facebook pelos bons costumes.

O bom e o mau rodeiam-nos e como educadores é da nossa incumbência explicar e debater as letras que tanto celeuma estão a provocar, assim como literatura ou programas televisivos (inclusive, de alguns canais de animação por cabo). Para cada estágio do desenvolvimento devemos utilizar diferentes abordagens.

O videoclipe que convosco decidi partilhar não foi escolhido por mero acaso. A jovem, capaz de esfaquear corações, corresponde em muito, inclusive na aparência, a muitas das  “santinhas” com as quais trabalhei e que agora, na flor dos vinte anos pouco distantes estão daquela caricatura. Quando mais novas, e ao detetar qualquer comportamento menos próprio, a abordagem junto dos pais sempre foi complicada: “A minha filha não é assim!”, “A minha filha não faz isso!”, “O Sr. Dr. está a implicar com a minha educanda!”. Recordo uma aluna de 12 anos, tão bela quanto inteligente que deixava que um colega a apalpasse onde quer que fosse e se colocasse em cima dela. Na altura, limitei-me a exigir que respeitassem os próprios corpos e as pessoas que eram. Neste caso, tinha pais que, caso necessária uma intervenção mais drástica, estariam a meu lado. Esta é a realidade entre tantos casos. Por favor, junto a uma Escola com alunos a partir dos seus 13-14 anos, parem e carro e escutem.

Relativamente à letra “Deixa-te de merdas!“, para além do título corresponder a uma expressão frequentemente utilizada por miúdos desde os seus 11 anos, quando não menos, nela podemos constatar o vazio sentimental dos nossos adolescentes, a importância dada ao sexo sem amor, vingança e o desrespeito pelo próprio corpo e o de outrem. Constata-se ainda o fim de um relacionamento de jovens adultos ou até mesmo adolescentes.

Já repararam que o número de casos de HIV tem vindo a aumentar no nosso país?

Letra

Deixa-te de merdas
Para que discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Pois eu já não, eu já não aguento mais não
E o estar distante é só um dos sinais, sinais
Não sinto nada, e nada mais me solta
Ou me distrai, nem mesmo se juntar cristais
Eu vou sentir amor
Quer dizer amor eu sinto, mas nada mais
Não sou dos fiéis mas sou dos leais
Sou dos que te levanta quando cais

Deixa-te de merdas
Para quê discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Eu quero estar só mas eu não te quero mal
É para o bem da nossa sanidade mental, mental
Todos temos fantasmas que nos perseguem e atormentam
Não me sinto em casa, não passo aqui nem mais um serão
Vou fazer-me a estrada por isso poupa-me o sermão
Tu vais ver que é melhor assim

Deixa-te de merdas
Para quê discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Por mais que ela diga que eu seja o único
A gente nunca se beija em público
Ultimamente só me chama púdico
Eu já não consigo dormir no cúbico
Perdeu-se entretanto
Ya eu sei que ela já teve uns quantos
Mas eu não quero saber quem é que ela fodeu antes
Porque depois de foder comigo
ela vai ver que nem fodeu tanto

Mas diz-me porque é que tu não aceitas
A minha decisão e só me desrespeitas
Para que discussão e promessas feitas
Se o mel que eu tenho no bolso nem é do Nelson Freitas
Não vou oferecer anéis, nem vou te abrir colares
Ou ficamos juntos ou peço para circulares
E por isso quando me vires bazar de fato e auricular
é porque eu vou viajar no jato particular

(Na eu não quero que me leves ao aeroporto
Caga nisso, a gente já nem se pode ver um ao outro
Vai dizer a toda a gente que eu sou um porco
Para de agir como se eu tivesse perdido o totoloto

Deixa-te de merdas
Para que discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Deixa-te de merdas
Para que discutir
Tu é que me levas
A ter que agir

Deixa-te de merdas
Sim já decidi
Que quero é estar só
Preciso de estar só

Preciso de estar só
Deixa-te de merdas
Deixa-te de merdas

agir

AGIR

Incendiar é divertido

escrita, opinião, reflexão

   Em Portugal, incendiar parece um jogo de suma diversão. Todo o espetáculo é apresentado, em grande estilo, nos canais de televisão aberta, preenchendo minutos e minutos dos noticiários, que dão conta dos hectares de terreno ardido, casas, animais, … e até pessoas que não resistem ou foram apanhadas desprevenidas.

Enquanto isso, no seu sofá, talvez na sua maioria em plena bebedeira, os incendiários responsáveis têm orgasmos de prazer com os seus feitos e ganham novo ânimo para perpetuar os crimes. Sabem que, caso apanhados em flagrante ou depois, rapidamente serão libertados. Mesmo que se trate, em alguns casos, de uma patologia, a obrigatoriedade ao cumprimento de um tratamento de saúde mental não existe. Dá-se lugar a inusitados reacendimentos e a focos de incêndios nas proximidades. Certamente que, para estes, foi uma ou várias punhetas bastante agradáveis, à custa da destruição e sofrimento alheio.

   Atenda-se à situação do passado dia 11 de agosto, durante a tarde, aqui fotografada e cujos focos de incêndio foram, inicialmente atribuídos a um comboio em circulação.

 

incêndio em SCD AG16 - 3

Incêndios entre Sta Comba Dão e Carregal do Sal – 11 de agosto de 2016

   Em primeiro lugar, apesar dos focos de incêndio seguirem, mais ou menos a linha de comboio, convém referir que este circula a eletricidade e não a carvão. Por outro lado, quando há algum problema devido à superfície de contacto do comboio e a linha, este meio de transporte é imediatamente imobilizado e feito o transbordo dos passageiros. Assim já aconteceu durante os longos anos em que lecionei no distrito da Guarda, utilizando sempre este meio de transporte. A ideia que dá, corroborada por alguns soldados da paz, é a de que existia alguém no interior do comboio que ia apeando os incêndios, estando em sintonia com outra pessoa que percorria algumas localidades. Só assim se explica que tais focos tenham surgido em simultâneo, bem como os reacendimentos.

   Parece-me perentório afirmar que estamos perante uma forma de terrorismo. O que aconteceu à nossa ilha da Madeira? No Norte e Centro do país? Quantas espécies destruídas, influências ao nível litológico, alterações da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, destruição da camada de ozono e concomitante aumento do efeito de estufa e do número de casos de cancro; a longo ou curto prazo, direta ou indiretamente. Quantos ecossistemas destruídos!

   De uma vez por todas, veja-se esta problemática como forma de terrorismo e atenda-se às verdadeiras consequências. Uma casa pode construir-se de novo. O nosso planeta não. Quem é que nos ataca? Tantos são os interessados, para além dos óbvios.

   Para terminar, partilho um vídeo que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão elaborou como forma simbólica de agradecimento aos Bombeiros. Simbolismo de suma importância. Aliás, o que faltou para com os ex-combatentes da Guerra do Ultramar.

 

Veja “Would you stop if you saw this little girl on the street? | UNICEF” no YouTube

opinião, reflexão

 

Pararia caso visse esta menina na rua?

Dizer-lhe-ia “Olá”?

Convidá-la-ia a partilhar a sua refeição?

Quem é que nunca errou?

Quem é que ainda não teve uma destas reações condenáveis, ao vermos o vídeo? Por medo, vergonha, idade, entre outros? …
Eu já errei.

É tempo de mudar. Nos últimos anos tenho vindo a operacionalizar essa mudança. Nem sempre é fácil mas também não é difícil. Por isso, Venha dai!