Da natureza

educação

O caranguejo eremita amplia seu revestimento blindado com uma anémona venenosa que age como um guarda-costas.

O conceito de Páscoa

artigo, educação

Para gente pequena

 

A professora, naquela turma que tantas vezes nos faz sorrir e desesperar, perguntou:

 

— O que é que se celebra na Páscoa?

Alheios a qualquer intervenção da nossa parte e convictos das suas respostas, fez-se ouvir:

— São Pedro!

— São João.

— Já sei, é o Santo António.

Esqueceram o meu “São Paulo”, mas tudo bem. Afinal, não faz parte dos Santos populares portugueses.

Já Jesus, segundo eles, foi uma pessoa boa (“Coitadinho dele!” – disseram) pois rendeu-se.

Gala

educação, humor

      Não, não se trata da gala dos óscares.

Na verdade, e para disseminar um pouco de humor neste mundo tão inóspito, trouxe-vos este tema por forma a partilhar um momento divertido com um dos meus alunos.

Para ele, o macho da galinha era o galo, mas a fêmea do galo era … a gala! E assim foi, durante uns dois minutos. Afinal, quem manda a nossa língua ter tanta regra e fazer pensar?

Falhas na educação sexual no nosso país

educação

 

Do programa da TSF, Pais e Filhos, após ouvir as conclusões da psicóloga, não posso estar mais de acordo. Pessoalmente, na minha experiência profissional, abordo tais temas no 6.º ano em ciências naturais, não obstante alguns dos conteúdos não fazerem parte do programa ou dos manuais escolares. Por vezes, tal implica alguns dissabores…

Cai a luz, Professora

diário, educação, humor

      As formas que as crianças encontram para explicar os acontecimentos deixam-nos, muitas vezes, com dificuldade em conter uma gargalhada. Já para não falar daquelas respostas que nos deixam a pensar, dadas as alterações climatéricas que se têm vindo a observar em Portugal, dificultando a distinção entre as diferentes estações do ano.

      A situação que a seguir descrevo ocorreu numa turma de alunos com dificuldades escolares.

Professora: — O que acontece no inverno?

Aluno 1: — Caem as folhas das árvores! (ups, não estás a confundir com o outono?)

A professora alertou os alunos para o facto de estarmos no inverno.

Aluno 2: — Comemoramos o Natal e o Ano Novo em família.

Professora: —Muito bem!

Mal acabou de falar, logo ouviu-se outra voz a opinar.

Aluno 3: — Cai a luz, Professora!  (Não me contive, soltando uma gargalhada, com a criança segura de si e convicta do que dissera a olhar-me.)

    Com “Cair a luz” quis dizer “ficar sem eletricidade”. A expressão era utilizada nas aldeias, mas pensava que já não se utilizava. Na verdade, nunca a ouvira. Na altura, ocorreu-me “cair a luz (lâmpada) dos candeeiros da sala”, “cair a luz do sol”, “cair a luz (brilho) das estrelas”, …  Das folhas das árvores que apenas caem no inverno à luz, haja talento para tamanha “filosofia”.

 

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Os pelos do peito do professor

artigo, diário, educação, escrita, humor

      Naquela sala de aula ouviu-se o toque para o intervalo da manhã. Após a primeira área disciplinar, é tempo de conviver com os colegas, lanchar e visitar a casa de banho, num espaço de tempo que se adivinha demasiado curto, uma vez que foi tecido por aqueles que se escondem entre secretárias e que só às vezes aparecem para mostrar sorrisos amarelos/falsos, de quem nunca soube brincar ou interagir com crianças. O respeito consegue-se pela expressão antipática, forçada ou pelas unhas de gel, o batom e a oxigenação dos cabelos.

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      Da janela virada para o recreio dos mais pequeninos e dos maiores, com atividades lúdicas, o Sol acariciou-nos com os seus raios quentes, numa manhã convidativa para o retorno ao fecundo leito noturno. Subitamente, dois dos meus “piolhos” começaram a brincar com a gola da minha camisola. Gola para aqui, gola para ali… Acorda Paulo, são 10 horas!

      Quase desnudando a parte superficial do meu peito, ela disse:

– Oh Professor tens que ir a um lugar onde te cortem os pelos do peito!

      Sem saber como explicar a minha preguiça (ou escolha, eu sei lá!) a uma piolha de oito anos, a resposta logo se fez sentir por parte do colega da mesma idade:

– Não tem não! Não sabes que ele pode andar das duas maneiras? É uma questão de gosto!

      E ali fiquei parvo, entre a promissora conversa de dois jovens adultos, discordando (é tão bom discordar!), enquanto previa nova guerra com o colar da camisola, temendo que descobrissem alguns dos meus pelos brancos, esses sim, merecedores da mais perfeita depilação.

Posso agarrar uma nuvem?

diário, educação, memórias

      Sentado, a desenhar a sua banda desenhada correspondente ao texto analisado na aula de português, na imensidão do sonho dos seus 8 anos (quase 9, como me diz), perguntou:

– Senhor Professor, de que são feitas as nuvens?

Com pequenas orientações descobriu a resposta.

      Passados alguns instantes, uma nova pergunta gotejou do seu eterno mar de ternura:

– Senhor Professor, é possível agarrar uma nuvem? Parecem tão fofinhas!

Por um lado, dão vontade de  brincar e por outro de comer.

Novos dados foram fornecidos, a par do estado gasoso da água, até então desconhecido. Em mim, a vontade de dizer que todos podemos agarrar as nuvens e voar num céu azul. Saltar entre elas e brincar às escondidas. Desenhar palavras em inglês, como as que me pede para verificar se estão bem escritas. Derrete-me este mundo de criança dos outros tempos. Fragiliza-me até. Pena que o sonho tantas vezes se desencontre da realidade.

Coisas de Criança

diário, educação, escrita

Hoje, comecei a prestar apoio direto, entre outros, a um menino de 7 anos hiperativo e deliciosamente “criança“.

Entrei na sala de aula e sentei-me junto dele. Já nos tínhamos conhecido noutro dia. A professora titular deu-nos os materiais a trabalhar e informou-me que a criança não tinha tomado a medicação, pelo que devia ignorar certas atitudes.

Abracei-o e dei início ao trabalho, recorrendo a um tom de voz meigo e calmo, introduzindo assim a tarefa.

– Sabes, tenho piolhos! – informou-me logo no início, como se de uma guerra se tratasse.

– Não faz mal. Em casa, com a mãe usas um champô adequado. – respondi.

Na minha “inocência” de adulto pensei que ele estivesse preocupado com alguma forma de transmissão dos parasitas, uma vez que as nossas cabeças estavam muito próximas.

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Passados instantes,

– Sabes, tenho doenças.

E tomo medicamentos. Muitos! – voltou a informar-me, como se de uma peste se tratasse.

Entendi que, a tudo o custo, queria-me fora dali, para assim não fazer as tarefas propostas. Decidi entrar no jogo e num espírito de incutir regras disse-lhe:

– Sabes, tenho doenças, tomo medicamentos… e também tenho piolhos!

Tirou uma camisola e respondeu-me com a seguinte observação:

– Tu és velho!

Dei comigo a pensar “Ainda na outra semana, um aluno ficou admirado porque… eu tinha mais de 16 anos”.

– Velho?! Mas nem tenho rugas. Observa!

Prontamente perguntou:

– Tu já tens 20 anos?

Agora que todos escrevem livros, deverei eu fazê-lo revelando os meus segredos, no masculino, para uma aparência mais jovem?

 

Para refletir – A Opinião de Graves

artigo, educação, reflexão

Um dia, perguntaram a Graves: ”Acredita que um professor pode fazer com que uma criança escreva bem se ele não o faz?

Graves respondeu: “Você não faz com que as crianças leiam, e não faz com que elas escrevam. A qualidade de um professor de topo sempre foi o do convite. Ouve, sem agenda, exceto para apontar que existe um lugar maravilhoso onde ir. E os convites são bastante variados, dependendo das crianças.”

 

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Uma reflexão: O Circo das Borboletas

7.ª arte, educação, opinião, reflexão

 

Nestas semanas, tenho vindo a frequentar um curso de Coaching para professores.

Hoje, a formadora propôs a visualização e interpretação do filme O Circo das Borboletas, título que adotei da versão espanhola. Se de início pode parecer algo aborrecido, antiquado ou estranho, deixem que se dê o avanço da história.

A minha reflexão, do ponto de vista do coaching

 

Todos podemos voar como borboletas, mesmo sem órgãos de locomoção. Na verdade, quanto maior a luta, mais glorioso é o triunfo.
Em El Circo de La Mariposa assistimos a um coach de características inatas, desmistificando preconceitos, ao transformá-los em exemplos para tantos outros. Logo de início, ao contactar pela primeira vez com o Sr. sem os órgãos de locomoção desenvolvidos dentro dos parâmetros normais (deficiência motora), ao invés de uma aberração, o dono do circo estabeleceu uma relação de empatia. Por forma a operar a mudança em alguém desmotivado, desvalorizado e portador de deficiência, fez uso da palavra. Com o decorrer do tempo e ao contrário do que muitos esperavam, a performance do indivíduo, com objetivos e metas, evoluiu. Operou-se a transformação e o desenvolvimento, dado o potencial intrínseco, a confiança e a consciência.
Este coach, para além de ver, soube ouvir, acreditou e estabeleceu uma parceria. Em todos os momentos revelou segurança em si, coerência, proatividade, convicção, paciência e humildade. Face a alguém com uma história de vida de dor e asas cortadas, soube revelar competências relacionais e motivar. Constatou-se um processo transformacional resultante da parceria entre ambas as personagens, com a cumplicidade dos outros elementos do circo.

Ainda que portador de deficiência motora, algo tão nefasto na época retratada no filme, o coachee conseguiu encontrar as suas condições de equilíbrio. A “borboleta”, antes no casulo, ganhou asas e beleza, podendo disseminar lições de vida a outros reduzidos a nada, pela sociedade de então.

 

At the height of the Great Depression, the showman of a renowned circus discovers a man without limbs being exploited at a carnival sideshow, but after an intriguing encounter with the showman he becomes driven to hope against everything he has ever believed.

Director: Joshua Weigel
Writer: Joshua Weigel & Rebekah Weigel
Producers: Joshua Weigel, Rebekah Weigel, Angie Alvarez
Executive Producers: Jon & Esther Phelps, Jason Atkins, Nathan Christopher Haase, Bob Yerkes, Ed Vizenor & Nathan Elliott
Director of Photography: Brian Baugh
Production Designer: Yeva McCloskey
Editor: Chris Witt
Cast: Eduardo Verastegui, Nick Vujicic, Doug Jones, Matt Allmen, Mark Atteberry, Kirk Bovill, Lexi Pearl, Connor Rosen
Original Score: Timothy Williams (Composer)