Os Fortes ou Os Fracos?

diário, escrita, reflexão

      Nunca escondi que em criança e adolescente fui vítima de bullying. Na altura, tal não tinha nome. Quantas vezes, em algumas situações, na escola, adultos, regra geral homens nos seus 40-50 anos, fingiam não ver os abusos dos outros alunos? E riam… Recordar ainda dói.

      Compreendo que muitas eram as minhas diferenças: aspeto totalmente nórdico, gordo, bom aluno, não sabia (nem sei!) jogar futebol, preferia as músicas e filmes desconhecidos pela maioria, gostava de ler, brincava com as meninas e com os mais pobres ou ricos, tinha vocação para o teatro e escrita e nenhuma tendência para educação física ou madeiras (que horror!). Adorava perfumes (ainda gosto), viajava por mundos fictícios e compreendia os problemas mais complexos dos amigos. Os meus pais trabalhavam e quando comprava roupas, estas eram de qualidade (não se leia de marca e com frequência, mas as necessárias). Naqueles tempos, poucos eram os pais que trabalhavam. Regra geral, a mãe cuidava da casa.

     Na adolescência, sem entender, e graças a um artigo de uma revista recém chegada a Portugal, compreendi que estava a ser sexualmente assediado, com uma prima, durante a aula de madeiras. Conseguimos nada sofrer, a não ser uma nota nota negativa no 2.º período. Não a mantivemos no 3.º porque conseguimos a nota máxima na disciplina com a qual aquela fazia média. Tanto há a dizer…

      Como professor, foi na passada quinta-feira que fomos alertados, na nossa sala de aula, por duas auxiliares, para o comportamento de dois alunos durante o intervalo de dez minutos. Congelei e senti-me a arder. Crianças de 8 e 9 anos colocaram a cabeça na sanita de um menino de 6. Como se não bastasse, seguiu-se um pé. Outro aluno, da mesma turma, assistiu a tudo e nada disse. Queria congratular-se culpando, em primeira mão, os colegas.

      Interrogo-me, qual é o futuro da humanidade? Ah, estes meninos não têm problemas familiares, não vivem em bairros sociais nem são carenciados.

 

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11 comentários sobre “Os Fortes ou Os Fracos?

  1. Oi, lindo texto. Alguns anos atrás já fiz esssa mesma pergunta e me assentei com uma única resposta… evoluir pelo amor ou pela dor. Um grande abraço e boa semana😀!

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  2. É quando o fortes passam a ser fracos. Não é por ser maior ou mais forte que podes humilhar quem quer que seja. Trabalho há uns anos com crianças e posso dizer que são crianças que não passam dificuldades. Em cada dez 4 tem um comportamento idêntico ao que relata… Causa do problema? Claramente a falta de educação em casa, crianças a cuidar de crianças! (Há excepções)

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  3. Fui umas das poucas crianças gordas dos anos 70! Sofri o tal do Bullying que ainda se chamava “piada”, mas rapidamente aprendi a me defender e retrucar o bullying com sarcasmo e indiferença, o que me fez sobreviver aos muitos ataques. Tempo ruim!
    Só me diga uma coisa… o que é Madeira? Sou brasileiro e não conheço esta expressão! :p
    Gostei do seu Blog! Visitarei mais vezes, com cererteza! Parabéns! 🙂

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    1. Olá, boa noite. Bem-vindo!
      Obrigado pelo seu testemunho.
      Ultimamente tenho escrito muito pouco no blogue. Por vezes, nem sei se devo continuar. Falta de tempo, de assunto… De assunto,… há sempre tanto acerca do que escrever, mas gosto mesmo de discutir temas e atualmente, o mundo parece virado para o Facebook que, para mim, é um Big Brother.

      Quando escrevi “madeiras” referia-me a uma antiga disciplina, na qual eramos ensinados a trabalhar a madeira, fazendo bonecos (artesanato), bancos e mesas para a decoração da casa. Algo para que nunca tive vocação. Com esta disciplina (matéria, como chamam no Brasil), tínhamos têxteis, onde aprendíamos a fazer tapetes de Arraiolos (artesanato típico de uma região de Portugal), tecer, mais ou menos coser a ganga, etc. Mas esta área era mais completa. Nela estudava-se também moda. Foi por exemplo, onde aprendi a história da minissaia ou dos teares no mundo.

      Grato pela visita.

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      1. Obrigado pelo esclarecimento! Adoraria esta matéria, se ela existisse em minha escola, na época. Pareceu interessante!
        Não pare de escrever, seus textos são bem interessantes, além de bem escritos!
        Um abraço!

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