Ainda não soube como

diário, escrita, memórias

   As estrelas brilhavam. Por entre as palavras soltou-se o abraço que navegou rumo ao beijo longo e profundo.

   Sorrimos.

   Olhos nos olhos trocamos carícias enquanto saltávamos as ondas que nos levavam junto ao recanto escuro do penedo anexo ao muro de pedra.

  Seguiu-se a contemplação, como se fossemos únicos. Esta impediu que as roupas permanecessem nos nossos corpos, naquela noite duplamente quente. Pelo menos, as necessárias à fusão dos corpos.

  À semelhança de um filme francês, fugimos dali. Parecíamos querer dar asas a uma história com densidade. Todavia, quando estas se iniciam com a concretização da atração física, o fim parece não ser o melhor. Pena não ser livre por forma a poder escrever mais. Liberdade, liberdade… Utopia da democracia.

   Reencontramo-nos volvida uma semana.

   No céu, as estrelas deixaram de brilhar, o tempo mudou… Passaram-se meses e ainda não soube como escrever estes fragmentos.

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Lágrimas by Paulo Vasco

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