AGIR ft. Regula- Deixa-te de merdas

artigo, educação, música portuguesa, opinião, reflexão

Atualmente, neste país de brandos e falsos costumes, assistimos a uma corrente de alguns pais que procuram “boicotar” o artista/banda Agir. Ontem, ao fim da noite, dei por mim a ler uma publicação contra o artista e a favor dos bons costumes. Um texto com argumentação mas de autor não identificado. Qual o valor? Artigo partilhado no facebook, no qual constatei que, como por magia, alguns pais aperceberam-se de que o conteúdo das letras e músicas não são adequadas para os filhos mais pequenos (nada contra, em alguns casos!). Mas quem disse que o artista tem como público-alvo o infantil? Estes mesmos pais estão habituados, na grande maioria dos intérpretes da atualidade, a verificar se consta a etiqueta/informação “Explicit Content” ou “Adult Content“, no CD ou MP3?

Não, não sou fã do Agir. Gosto de alguns temas e da musicalidade. Termos como “proibir”, assustam-me. Se em Portugal, considero ténue a democracia, apesar de ainda jovem, o regresso da censura é de todo caótico. E estes são dois conceitos que li, ao deparar-me com uma publicação no Facebook pelos bons costumes.

O bom e o mau rodeiam-nos e como educadores é da nossa incumbência explicar e debater as letras que tanto celeuma estão a provocar, assim como literatura ou programas televisivos (inclusive, de alguns canais de animação por cabo). Para cada estágio do desenvolvimento devemos utilizar diferentes abordagens.

O videoclipe que convosco decidi partilhar não foi escolhido por mero acaso. A jovem, capaz de esfaquear corações, corresponde em muito, inclusive na aparência, a muitas das  “santinhas” com as quais trabalhei e que agora, na flor dos vinte anos pouco distantes estão daquela caricatura. Quando mais novas, e ao detetar qualquer comportamento menos próprio, a abordagem junto dos pais sempre foi complicada: “A minha filha não é assim!”, “A minha filha não faz isso!”, “O Sr. Dr. está a implicar com a minha educanda!”. Recordo uma aluna de 12 anos, tão bela quanto inteligente que deixava que um colega a apalpasse onde quer que fosse e se colocasse em cima dela. Na altura, limitei-me a exigir que respeitassem os próprios corpos e as pessoas que eram. Neste caso, tinha pais que, caso necessária uma intervenção mais drástica, estariam a meu lado. Esta é a realidade entre tantos casos. Por favor, junto a uma Escola com alunos a partir dos seus 13-14 anos, parem e carro e escutem.

Relativamente à letra “Deixa-te de merdas!“, para além do título corresponder a uma expressão frequentemente utilizada por miúdos desde os seus 11 anos, quando não menos, nela podemos constatar o vazio sentimental dos nossos adolescentes, a importância dada ao sexo sem amor, vingança e o desrespeito pelo próprio corpo e o de outrem. Constata-se ainda o fim de um relacionamento de jovens adultos ou até mesmo adolescentes.

Já repararam que o número de casos de HIV tem vindo a aumentar no nosso país?

Letra

Deixa-te de merdas
Para que discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Pois eu já não, eu já não aguento mais não
E o estar distante é só um dos sinais, sinais
Não sinto nada, e nada mais me solta
Ou me distrai, nem mesmo se juntar cristais
Eu vou sentir amor
Quer dizer amor eu sinto, mas nada mais
Não sou dos fiéis mas sou dos leais
Sou dos que te levanta quando cais

Deixa-te de merdas
Para quê discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Eu quero estar só mas eu não te quero mal
É para o bem da nossa sanidade mental, mental
Todos temos fantasmas que nos perseguem e atormentam
Não me sinto em casa, não passo aqui nem mais um serão
Vou fazer-me a estrada por isso poupa-me o sermão
Tu vais ver que é melhor assim

Deixa-te de merdas
Para quê discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Por mais que ela diga que eu seja o único
A gente nunca se beija em público
Ultimamente só me chama púdico
Eu já não consigo dormir no cúbico
Perdeu-se entretanto
Ya eu sei que ela já teve uns quantos
Mas eu não quero saber quem é que ela fodeu antes
Porque depois de foder comigo
ela vai ver que nem fodeu tanto

Mas diz-me porque é que tu não aceitas
A minha decisão e só me desrespeitas
Para que discussão e promessas feitas
Se o mel que eu tenho no bolso nem é do Nelson Freitas
Não vou oferecer anéis, nem vou te abrir colares
Ou ficamos juntos ou peço para circulares
E por isso quando me vires bazar de fato e auricular
é porque eu vou viajar no jato particular

(Na eu não quero que me leves ao aeroporto
Caga nisso, a gente já nem se pode ver um ao outro
Vai dizer a toda a gente que eu sou um porco
Para de agir como se eu tivesse perdido o totoloto

Deixa-te de merdas
Para que discussão
Não quero ser teu dono
Nem dono da razão

Deixa-te de merdas
E presta atenção
Eu quero é estar só
Preciso de estar só

Deixa-te de merdas
Para que discutir
Tu é que me levas
A ter que agir

Deixa-te de merdas
Sim já decidi
Que quero é estar só
Preciso de estar só

Preciso de estar só
Deixa-te de merdas
Deixa-te de merdas

agir

AGIR

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2 thoughts on “AGIR ft. Regula- Deixa-te de merdas

  1. Um paradoxo. Pra todo lado. De um lado, tratam as crianças como anjos de candura e inocência e quase ignorância bestial. De outro lado, o tratamento os coloca nos píncaros da maturidade e da inteligência. E a INFÂNCIA esvai-se pelos dedos de pais que não são PAIS e de “escolas” que são levadas pela burrice generalizada a desempenhar funções familiais que não são as suas… Como se diz por aqui: durma-se com um barulho desses…

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