Um Elogio aos Pais

educação, escrita, opinião, reflexão

    Presentes, não tão presentes, com mau feitio ou fantásticos; que TODOS os meus alunos, inclusive os “ex”, saibam reconhecer o mérito dos seus “pais”.
Nem sempre o soube fazer ou consegui, admito. Demorei anos a compreender os traumas e efeitos da presença numa guerra nefasta e sem razão, a chamada Guerra Colonial.

Contudo, sobretudo em situações de divórcio, situação tão comum na experiência de qualquer professor com o cargo de diretor de turma ou mais envolvido com os discentes, continuo sem entender o papel das famílias que denigrem a imagem de um ou ambos os progenitores. Então quando os filhos já conseguem formar juízos/avaliar mas se deixam levar…
 Amanhã pode ser tarde para pedir “perdão” ou “desculpa”. Num ápice, o meu voou, à semelhança de tantos outros. A doença foi dolorosa para todos, rápida e letal. Jamais pensei que um dia o veria apodrecer… Sim, esta é palavra correta. Não foi perfeito, genial e errou em determinados parâmetros da minha educação. Todavia, foi peça fundamental para a formação da minha personalidade. Até ao fim, não o abandonei.

   Sim, esta mensagem é para ti, também para ti, para si, quem sabe para si também.
Os filhos não são frutos de guerras entre progenitores. Muito menos pediram para nascer. Respeite-os e dê-se ao respeito, como mãe ou pai, não deixando de ser exigente. A guerra é feita de palavras. Os gestos, esses podem embelezar todo e qualquer ser.

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Deixo-lhe um texto que partilhei no blogue Um Só Mundo.

 

Vamos aplaudir os pais?
Sim, aquela figura normalmente associada à expressão dura e quantas vezes, despreocupada com a educação dos filhos. Os pais que aqui elogiamos são:

Os que sabem que não existem apenas para “ajudar” a mãe quando ela precisa.
Os que voltam a ser crianças perto dos filhos.
Os que nunca descem da pose mas são os maiores pais que há.
Os pais que brincam e se sujam.
Os que não deixaram de ser quem são depois de terem sido pais.
Os pais que ficam cansados mas depressa recuperam.
Os que ficam na ronha com os filhos ao sábado de manhã.
Os pais que aproveitam o sábado de manhã para ir andar de bicicleta com os filhos.
Os que ensinam.
Os pais que explicam e não se escusam com o “não ias perceber”.
Os que reconhecem que não sabem tudo.
Os pais que são solteiros e se desdobram em mil para que nada falte.
Os que são separados e se desdobram em mil para que nada falte.
Os pais que estão juntos e se desdobram em mil para que nada falte.
Os pais que ouvem Panda e os Caricas no carro porque isso deixa a prole feliz.
Os que fazem questão de ouvir rádio no carro para a prole ter contacto com todos os tipos de música.
Os pais que ajudam a fazer os trabalhos de casa.
Os que estão longe e do longe fazem perto.
Os pais que estão perto e aproveitam essa sorte.
Os que não deixam as más ou boas relações com a mãe interferir no tipo de pai que são.
Os pais que não ofendem os filhos nem os culpam pelos seus erros.
Os que sabem pedir desculpa.
Os pais que erram, mas que tentam ser melhores.
Os que têm sentido de humor e se divertem com as traquinices dos filhos.
Os pais que sabem vestir os filhos com as peças de roupa a condizer.
Os pais que vestem os filhos como se tivessem tirado a roupa do roupeiro às escuras.
Os que incentivam os filhos a chegar mais longe.
Os pais que sabem reconhecer que os seus filhos não são perfeitos.
Os que sentem orgulho dos filhos e lhes dizem.
Os pais que sentem orgulho dos filhos mas só o demonstram sem dizer.
Os que inventam histórias na hora de ir dormir.
Os pais que sabem os nomes das princesas dos desenhos animados.
Os que trauteiam a música dos ”coloridos” ou da “ovelha choné”.
Os pais protectores.
Os que deixam os filhos cair para aprenderem.
Os pais que repreendem os filhos.
Os que sempre sonharam ter tantos filhos quanto jogadores numa equipa de futebol.
Os pais que nunca quiseram deixar um legado e se surpreendem todos os dias.
Os pais que não desistiram quando tiveram um filho com algum tipo de doença ou deficiência.
Os que tiveram medo no princípio mas depois perceberam que o medo só os tornava humanos.
Os pais que tiveram sempre tudo sobre controlo e hoje percebem que não controlam nada.
Os pais que dormem bem.
Os que não conseguem dormir bem.
Os pais que sabem a sorte que é poder dar banho, dar jantar, estar presente.
Os pais que são pais.

Seja de que forma for.
Feliz dia do Pai!

Coelho, Marta (2016). Elogio aos Pais. Extraído de Up To Kids, acedido em http://uptokids.pt/opiniao/elogio-aos-pais/, às 8.18 p.m.

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14 thoughts on “Um Elogio aos Pais

  1. Bom dia
    Obrigado por me conduzires até aqui. Vou escrevendo conforme vou encontrando os blogues no G+
    Gostei das fotos tão repletas de carinho. Momentos que demos e vivemos.
    Gostei do modo como vais alertando os leitores e os teus alunos.
    A vida faz-se caminhando e também se pode ser pai ensinando.
    Tantos que nunca conheceram o pai e outros que o perderam.
    Abraços de amizade.

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  2. Sim, esta mensagem é para ti, também para ti, para si, quem sabe para si também.
    Os filhos não são frutos de guerras entre progenitores. Muito menos pediram para nascer. Respeite-os e dê-se ao respeito, como mãe ou pai, não deixando de ser exigente. A guerra é feita de palavras. Os gestos, esses podem embelezar todo e qualquer ser.
    Ah…que bom seria se todos pudessem ler e refletir sobre este
    belo texto Paulo.
    Obrigada, boa noite querido!

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