Aos 24 anos, jovem com depressão tem acesso à eutanásia

artigo da imprensa, escrita

Um artigo a ler.

       Infelizmente, a depressão continua a tratar-se de uma doença incompreendida. Para muitos, doença chique, de quem nada tem para fazer.

      Em situações de crise, que quase todos sabemos capazes de a despoletarem ou acentuar, uma vez que um portador de depressão não tem de se fazer acompanhar por um rótulo, assim como o sujeito cuja personalidade tem manifesta tendência depressiva; ainda existem indivíduos capazes de manifestar atitudes de suma frieza, despreocupação e insensatez. Estas são conducentes a  agravamentos do quadro “clínico”, baixas médicas, aparecimento de outras doenças e/ou síndromes e quantas vezes à vontade de morrer/suicídio.

Não pense, o leitor, que se trata de uma vontade momentânea. Depende dos casos. Tal como relata a jovem do artigo que aqui partilho. Na generalidade dos casos, se num momento há alegria, passadas horas, o vazio é imenso. Atualmente, os indivíduos promotores do mal estar, centralizam-se no trabalho, na escola e distribuem-se, em muitos casos, pela estrutura familiar.  

      Os psicofármacos ajudam. Sim, sem dúvida. Dão qualidade de vida. Aquela que o psiquiatra nos diz: – “Para a ter, terá que tomar esta substância até ao fim dos seus dias.” Da mesma forma existem as terapias alternativas, o psicólogo,… Mas, num país em crise, onde conseguir dinheiro para tanto?

Muitos psiquiatras já não realizam psicoterapia.

Muitos psicólogos não a sabem realizar. Em outros casos, se o raciocínio destes técnicos não é rápido e se não “namoram” o doente com a proposta de leituras e técnicas, surge o desinteresse. O interior está despovoado de técnicos, sobretudo psicólogos, capazes de aplicar técnicas inovadoras.

      E assim, nesta nossa Tabacaria, sitiados por sombras que tudo oferecem, a troco do desespero(o nosso!) morre-se aos poucos.

THE POSTERIORI NEWS

Os médicos belgas autorizaram uma mulher com depressão profunda a ser submetida a eutanásia.

“A minha vida tem sido uma luta desde que nasci”

‘Laura’ (o nome verdadeiro não é referido pela imprensa belga), de 24 anos, explicou aos especialistas que sofria de depressão desde que era criança e que queria morrer, pode ler-se no Independent, que cita o jornal De Morgen.

A jornalista que a entrevistou descreve-a como uma pessoa “calma, equilibrada e segura de si mesma”. Tem amigos, gosta de teatro, de fotografia e de um bom café, cita o jornal francês Le Figaro.

À primeira vista, Laura parecer ser uma mulher como todas as outras, mas diz ter desde muito nova um sofrimento psicológico insuportável.

“Tenho um ar muito calma, mas provavelmente mais tarde, vou estar a rebolar no chão por causa da dor que me auto-inflijo. A minha luta interior não tem fim”, afirma.

Diz…

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4 comentários sobre “Aos 24 anos, jovem com depressão tem acesso à eutanásia

  1. À vezes, fico pensando nas vantagens para o Estado da Bélgica em eliminar pessoas que “estão” (mas não são) doentes, mas que são apenas gastos. Este é um ponto. O segundo consiste no processo que é complicado, embora esteja estruturalmente trincado. Questiono a estrutura capitalista (pessoas?! não existem),que é a base da morte voluntária. Não sou contra a eutanásia – A morte boa/tranquila e sem dor. Sou contra a morte desajuizada, justificada por uma estrutura estatal que não pensa nas pessoas, mas no bolso do estado. Eutanasia é desumanização, neste sentido. Consiste nisto: sua escolha voluntária pela morte, baseada em razões evidentes de saúde precária, nada mais indica do que a incompetência do estado e dos médicos em achar soluções que humanizam. O que veja é a coisificação das escolhas humanas pela morte. E esta é uma das deficiências, ao meu ver, da eutanasia, em que os fins sempre justificam os meios. Quando na verdade não deveria ser assim.
    Quando olho para Laura, o que veja é uma vítima da realidade. Vítima que não conseguiu se desvencilhar da teia de um suicídio. Sua doença – a depressão profunda, é apenas um sintoma de que a sociedade em geral está doente e não apenas ela. Depressão, para mim, não é coisa simples de se definir. De-pressão é falta de dor, e não é o excesso de dor. Abrs

    Curtido por 2 pessoas

    1. Magnífica reflexão, Cristiano,
      Outra perspetiva. Ainda que, acredite na existência de casos extremos. No vosso país, até na tv existem programas orientados para a saúde pública nas suas diferentes vertentes. Aqui, toda a noite é passada entre novelas e mais novelas, no inverno com reality shows de péssima qualidade e participantes que…. Na tv por assinatura, repetições e mais repetições de filmes e séries. Recordo agora que entre 2000 a 2006, mais ou menos, tivemos um humilde canal de saúde que à noite passada a de medicina, destinado apenas a médicos. Esse sim. Pouco me importava que fosse humilde. Interessava sim o quanto aprendia, sobretudo para lecionar.
      Grande abraço.

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  2. Eu até posso compreender o que se passa com a “Laura”, mas não aceito que a solução seja a eutanásia. Tem que haver outras hipóteses que não foram, com certeza, tidas em conta.

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    1. … Tem que haver outras hipóteses que não foram, com certeza, tidas em conta.

      Eu creio, e com base nisso elaborei o meu texto, que algo falta na entrevista. Caso contrário, a eutanásia tornou-se uma medida economicista naquele país, no caso da depressão .

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