Campanha Dia dos Namorados d’O Boticário Brasil

educação, escrita, sexualidade

      O Dia dos Namorados no Brasil realiza-se na véspera do nosso dia de Santo António, a 12 de junho. Como tal, O Boticário Brasil tem vindo a levar a cabo uma campanha publicitária magnífica. Nela, não há qualquer discriminação relativamente à orientação sexual. Assiste-se, a um pedaço do mundo ideal.

      Confesso que, quando vi o vídeo, pela 1.ª vez, não me apercebi da existência de casais do mesmo sexo. Tudo decorre de forma tão natural. Ao ler uma notícia sobre o mesmo e realizando uma breve pesquisa pelos portais brasileiros,constatei que existe algum celeuma, com grupos opositores à transmissão do mesmo. Como é hábito, destes fazem parte os religiosos. Deus não é Amor? Por que semeiam estes seus filhos, o ódio, a discriminação e continuam a incentivar a discriminação? Uma outra forma de colocar a pergunta de forma a que todos entendam, projetando-a nesta situação: “Por eu não gostar de uma determinada cor de cabelo, dado recordar-me alguém que muito me magoou, devo odiar/rejeitar/discriminar todas as pessoas com essa mesma cor de cabelo?”

      Pense nisto.

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10 comentários sobre “Campanha Dia dos Namorados d’O Boticário Brasil

  1. Eu já tinha visto o vídeo. De facto, está muito bem feito e natural. Não percebo porque as pessoas ficam tão chocadas. E também me irrita o facto de serem sempre os grupos religiosos a barafustarem. Quem acaba por ganhar com tudo isto é mesmo “O Boticário”…

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    1. Bem, pelo menos gosto da marca 🙂 Tal como escrevi Cris, quando vi o vídeo pela 1.ª vez, desconhecedor da polémica, nem me apercebi dos casais do mesmo sexo. Ao revê-lo, já conhecedor, tudo me pareceu tão normal e como se deseja numa sociedade saudável.

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  2. Para mim também é perfeitamente natural.
    Aqui há uns dias discutíamos sobre isso no serviço com o pessoal a falar que homossexualidade era “anti-natura” e que não nunca deveriam ter direita a adoptar crianças. Isto naquela altura em que se falou da co-adopção. O que eu disse a seguir chocou-os.
    -Se fosse o meu filho eu gostaria que ele tivesse o direito a poder amar uma criança e que esta o chamasse de pai.
    (Colega) – O teu filho? Tu não te importavas que ele fosse homossexual?
    (Eu) – Mas é claro que não! Nem um pouco! Eu quero que ele seja feliz com as escolhas dele. Importa-me muito mais que ele seja pouco tolerante, que se preocupe com o que o que cada um faz entre quatro paredes e que é natural e faz parte do seu ser. Preocupa-me que se afaste do que eu lhe ensino.

    Custa-me a acreditar que haja gente que se importa com a pessoa que outros amam. O amor não tem idade nem sexo!

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    1. Apenas posso dizer, Lina, que és um ser muito elevado. Acima de muitos que se dizem “inteligentes” e sensíveis.
      A homossexualidade sempre existiu. Inclusive, existe também no restante mundo animal. Se existem casais que possam “chocar” por algum comportamento, também existem heteros que o fazem. Creio que, na generalidade, associam homossexualidade a sexo e promiscuidade. A promiscuidade existe em qualquer orientação sexual. O sexo também.
      Se conhecessem pais hetero com os quais já trabalhei, não sei se não teriam outra opinião. Inclusive, já tive uma menina filha de pais portadores de deficiência mental e muito pobres bem mais feliz e com algumas capacidades do que muitos com pais “normais”, que nem se preocupam em alimentar os filhos, agridem-se com armas frente aos mesmos, etc.,etc.

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  3. Não acho que eu seja o que dizes. Simplesmente, e felizmente, vejo as coisas de forma simples e sem entraves mentais a bloquear a minha visão. Ou então o facto de ter viajado e conhecido mundo me deu essa visão das coisas.

    Quanto ao que dizes tens toda a razão. Aliás, basta ver a recusa do dádiva de sangue por homossexuais que não estejam em abstinência. Nada mais obsoleto e simplesmente segregador!
    Também já vi muito do que dizes. Paulo, sou enfermeira.

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    1. Shame on me, Lina. Via-te bióloga…
      Mas bem sabes que nem todas as pessoas formadas vêem as coisas “de forma simples e sem entraves mentais”. Parece que nunca estudaram filosofia e não se permitem a extrair a tábua rasa capaz de nos fazer evoluir. Ao contrário do que parece esta é uma temática que abordo com maior facilidade e sem problemas com uma turma de aldeia ou vila onde contactem com a natureza do que numa turma de cidade ou de vila “pseudo inteletual”. Os do campo estão habituados a ver o que tanto choca, nos animais, e por vezes num rapaz ou rapariga da aldeia. Infelizmente, formação académica não está associada à formação pessoal. Por isso, e pegando no próximo comentário que tenho para aprovar, acredito que muitos pensem que a homossexualidade seja contagiosa. Ela pode per em dúvida um homem ou mulher, menos seguros. Isto porque, quando soube do cancro do meu pai, pessoas academicamente formadas nem se aproximavam de mim: a minha mãe tinha tido cancro no ano letivo anterior e logo no seguinte o meu pai. “Este gajo deve ter algum vírus que transmita o cancro” – devem ter pensado.
      Agora rio. Na altura não achei piada.

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    1. Não duvido nada, Pedro. É uma hipótese que me parece válida. Comigo, dado o cancro dos meus pais, não pensaram também que eu transmitisse a doença? Há preconceito de todo o tipo e espécie.

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  4. Não costumo falar sobre a minha profissão no blogue e muito poucos sabem o que faço.
    =) Mas elucida-me, porquê bióloga?
    Mas sim, era uma das minha opções. Mas enfermagem, na altura, era um curso de 3 anos e eu necessitava da minha independência económica. Coisas… Mas ao que parece não tenho nem cara, nem discurso de enfermeira. Seja lá o que for isso! É o que dizem as pessoas que me conhecem. Ninguém acha que sou enfermeira. Talvez porque mantenho interesse por diversas áreas, ou talvez o facto de ler bastante e de ter trabalhado em muitos locais e feito de um tudo me dê alguma “bagagem”.

    Não Paulo, o nosso percurso académico não dita o que somos. Muito menos as nossas ideias. Trabalho com várias classes profissionais e sou a primeira a dizer-te isso. Assim como diploma não dá educação. E eu tenho visto cada besta diplomada que é um susto!!

    Eu diria que a educação que recebemos em casa ajuda nas nossas ideias, mas não há ninguém tão afastada das ideias dos meus pais do eu. Dirias que não pareço filha deles! Mas se calhar o que ouvi e vi ajudou-me a reflectir e a questionar mais as coisas e a nunca tomar algo como certo. As nossas vivências e os professores ajudam muito a serem o que somos. E garanto-te a maioria dos teus colegas não sabe o poder que tem! O que por um lado assusta.

    Os entraves mentais que falo relacionam-se com a incapacidade que as pessoas têm em questionar. E falamos há uns tempos sobre isso. Lembras?
    O ensino está mecanicista, os alunos não podem questionar e nem pensar diferente! Chega a ser uma heresia!

    A grande maioria não “perde” tempo em questionar, e pensar diferente dá trabalho, argumentar é uma chatice… é mais cómodo e fácil ser uma “Maria vai com as outras” . E isso reflecte-se em tudo! Na situação económica, política, ensino,… enfim, um continuum que a não ser interrompido sairá caro. Aliás, já estamos a pagar o preço!

    E Paulo isso que falas do cancro ser um vírus. Aqui há uns tempos ouvi isso de uma colega de trabalho!! Uma profissional de saúde! Que queres? Mentes hipocondríacas que vêm mal em tudo!

    Gosto de falar contigo 😉

    Deves ser um bom professor, não deixes os teus alunos estarem muito tempo sem ti. Todos perdemos com isso.
    Bjnhs e boa semana que está aí à porta

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    1. Agora recordo, não da profissão exata mas do “bióloga”. Creio ter sido num daqueles desafios que o escreveste, como desejo de quando mais nova.

      Excelente relação a que fizeste com a nossa conversa sobre o atual mecanicismo no ensino.
      Pois é: a mudança, a forma de pensar e avaliar o que nos rodeia depende também de como nos ensinaram. Do método de ensino. Se fomos ensinados a analisar, opinar fundamentando a opinião e debater tudo é bem diferente. E isto consegue-se com meninos do 5.º ano. Em ciências é fácil, em matemática também não é difícil.

      Também gosto de falar contigo 😉

      Bjs e uma semana tranquila.

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