O sono “limpa” o cérebro

artigo da imprensa, educação

Como “segundo” cuidador de uma doente de Alzheimer, como alguém que muita dificuldade teve em dormir, na adolescência; como pessoa que muitas noites não dorme, fruto do cancro do pai e da doença da avó (Alzheimer) e como professor; não posso deixar passar em vão o artigo publicado em o Observador, “Mais uma boa razão para dormir: o sono limpa o cérebro“. Bem escrito e de fácil compreensão, ainda que haja lugar à utilização de termos técnicos essenciais, a associação ciência & saúde é louvável. Urge entender que é impreterível cultivar uma higiene do sono.

Não é fácil. Admito-o na primeira pessoa. Mas verdade é, não obstante circunstâncias da vida: quem causou o desequilíbrio de todo um conjunto de preciosas rotinas fui eu. Por exemplo, ainda nos tempos do ensino básico, quantas não foram as noites perdidas, até de madrugada, para, no dia seguinte poder dizer “bati o record“? Quantas destas foram fruto da minha ansiedade, uma vez que depois de 1 a 2 horas de estudo, a matéria já estava sabida? Os livros ficavam à minha frente, enquanto ouvia o Oceano Pacífico, na RFM. Como um papagaio repetia o que tinha estudado, circulando pela sala, de vez em quando. A favor: o horário em que melhor memorizo e me concentro está compreendido entre as 21h.30min e as 24h. O contra: o estudo de todas as matérias deixadas para a véspera das provas de avaliação. Paralelamente, as antigas sessões de cinema, de madrugada, nos tempos em que apenas tínhamos dois canais. Obviamente que o estudo diário ou regrado cessaria o problema de preparação para as provas. Quanto às sessões de cinema, felizmente apareceram os videogravadores, que no final dos anos 80, atingiram preços para todas as bolsas.

A higiene do sono nas nossas escolas

Nas nossas escolas, é muito frequente os alunos chegarem, sobretudo às segundas, quase sem dormir. De imediato, a atenção e a concentração estão comprometidas. Não se pense que todos têm problemas familiares, perturbações do sono, hiperatividade, etc.. À grande maioria não é incutida, desde tenra idade, uma higiene do sono. Deixo um simples exemplo que constato há anos. Dos hábitos dos alunos do 1º e 2º ciclo, que são mais novos e precisam de mais horas de descanso, faz parte, nas noites de domingo, assistir ao reality show no top de audiências, completamente desajustado na linguagem e comportamentos, e ainda transmitido, até cerca da 1h.30 min da madrugada.

A supervisão do sono dos filhos nem sempre é bem sucedida pois, ao realizar-se apenas uma vez ou em horas fixas, a criança que pretende jogar consola, navegar na internet, passear pelas APP do tablet ou do smartphone ou ver televisão, entre outras atividades, acabam por fingir estar a descansar. Os nossos filhos são o melhor que há no mundo mas não são perfeitos. Nada é perfeito.

De seguida, passo a destacar aspetos essenciais do artigo no Observador.

Da PublicDomainPictures Pai e filho

Da PublicDomainPictures Pai e filho</>

O artigo de Pedro Esteves, com pequenas adaptações

<<… Dormir (bem) é essencial para manter uma boa saúde, nada de novo, mas a verdade é que o conhecimento sobre a fisiologia do cérebro durante o sono é ainda escasso…. Numa TEDMED (conferência TED dedicada à saúde e medicina) realizada em setembro em São Francisco (EUA), o neurocientista Jeff Ilif da Oregon Health & Science University, revela algumas descobertas surpreendentes.

Ao contrário do resto do corpo, o nosso cérebro não possui sistema linfático, um conjunto de vasos através dos quais os tecidos purgam os produtos do metabolismo, ou seja, os resíduos que resultam da atividade celular. O cérebro é um órgão que representa apenas 2% da massa corporal, mas utiliza 1/4 da energia que consumimos e por isso a quantidade dos produtos dessa atividade celular é enorme. Então como é que o corpo se livra desses compostos?

Jeff Ilif explica que é o líquido cefalorraquidiano (LCR), que protege e nutre o sistema nervoso central (cérebro e espinal medula), também o responsável pela respetiva limpeza. O que até há pouco tempo não se sabia é que esse processo decorre precisamente durante o sono. Novas técnicas (de imagiologia) permitem ver, literalmente, o movimento do LCR durante o sono. Essas imagens são surpreendentes e podem ser vistas no vídeo da conferência do neurocientista.

Outra revelação importante: a proteína beta-amilóide é um dos resíduos da atividade dos neurónios (as células do sistema nervoso) eliminada pelo LCR neste processo de limpeza noturna — a beta-amilóide é a responsável pela formação das placas que caracterizam a doença de Alzheimer. Jeff Ilif afirma que “se o sono faz parte da solução para o problema de limpeza de resíduos do cérebro, isto pode alterar drasticamente o modo como olhamos para a relação entre o sono, a beta-amilóide e a doença de Alzheimer.” (…)

(…) O investigador conclui: “Todos nós dormimos diariamente mas os nossos cérebros nunca param. Enquanto o nosso corpo está inerte e a nossa mente vagueia pelos sonhos, a maquinaria elegante do cérebro trabalha árdua e silenciosamente na limpeza e manutenção desta máquina incrivelmente complexa. (…) No que toca à limpeza do cérebro, o que está em jogo é a saúde e a funcionalidade do corpo e da mente, o que torna a compreensão destas funções primárias, no presente, fundamental para prevenir e tratar doenças mentais no futuro.”>> De Pedro Esteves, em 19/10/2014, acedido em http://observador.pt/2014/10/19/mais-uma-boa-razao-para-dormir-o-sono-limpa-o-cerebro/, às 20h.27min.

A Conferência

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4 comentários sobre “O sono “limpa” o cérebro

  1. Em primeiro lugar, o layout (é assim que se diz aí?) ou template ou página inicial do blog ficou ótima. Fiquei intrigado, acho que você se cobra em excesso as coisas feitas e não feitas. Somos resultado de tudo que vivenciamos e errar, penso, faz parte do exercício. Como culpa e governos servem para pouca coisa, imagino que a vida (sim, cheia de limites, limitações e cobranças) possa ser um tanto mais leve. É o que te desejo

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    1. Boa pergunta Mariel.
      Vamos chamar-lhe tema. Layout também se utiliza por cá mas penso que, como vocês fazem, há décadas, devemos reduzir os estrangeirismos. Ainda estou muito “agarrado” ao anterior. Não me adapto a este. Mas foi o que de melhor ontem encontrei. Bem, neste tudo fica arrumadinho e juntinho.
      Recorri ao meu exemplo, no passado, para o caso de algum aluno se identificar. Ou, por outro lado, algum pai verificar que o filho está a cometer o mesmo erro. Se conseguir alertar/ apoiar um só, já fico muito contente.
      De resto, todo o artigo gira em torno da relação sono/doença de Alzheimer. Creio que está interessante.
      O jornalista sobe redigi-lo sem lacunas 😉
      Abraço.

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