O papel dos pais na adequação dos ritmos da escola e dos filhos

artigo, educação

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Ontem, 11 de setembro, no Observador, foi publicado o especial, de Catarina Fernandes Martins, <<Como podem os pais adequar o ritmo da escola ao ritmo dos filhos?>>, tomando, como ponto de partida, as recentes alterações aos horários escolares em França, desencadeados pela atual reforma educativa, que abrange, no caso em estudo, alunos do primeiro ciclo do ensino básico.

Para além de considerar o artigo muito bem elaborado, existem aspetos a reter na relação entre pais e filhos que vão além da faixa etária abordada. De facto, por exemplo, visionar, em conjunto, o notíciário, um filme, documentário ou qualquer outro artigo, opinando e realçando o que é importante para a “escola”, é de suma importância. Da mesma forma, definir um horário de estudo, onde devem constar atividades de lazer e conversar durante após as refeições, é importante para o salutar desenvolvimento da criança/ adolescente e definição de laços de afeto e confiança mútua. Regra geral, os professores são amigos dos seus alunos. Se porventura ocorre um episódio no qual há um puxão de orelha, este apenas pode ser encarado, na maioria dos casos, como um gesto de amor/educação do professor para com o seu <<pupilo>>. Afinal, quantos são os docentes capazes de em risco colocar a sua carreira? Convenhamos que, por exemplo, é mais fácil, iludir os pais com quadros de hiperatividade, sem quaisquer estudos prévios e/ou concomitante cruzamento de dados, em documentação específica, entre pais, professores, médicos/psicólogos e outros intervenientes na comunidade educativa. Venha a Ritalina, desculpem-se os pais que ignoram os filhos e/ou os não sabem educar; e em alguns casos amar, destrua-se a saúde da criança… Ainda nesta linha de pensamento, outra medida frequentemente adotada e sem consequências, consiste em ignorar os comportamentos perturabadores, convidando ou não, o aluno a sair da sala de aula.

Outra problemática enunciada no artigo, e com a qual os professoresfrequentemente se deparam, na sala de aula, nos perídos da manhã ou durante todo o dia de aulas, no nosso país, prende-se com as “horas de sono”. Os “pais dos nossos dias”, para além do parco interesse para com a sua descendência, delegaram a maioria das suas funções na escola.  Outros aspetos há a enunciar mas não vão ao encontro da temática desta publicação. Sempre que na televisão são transmitidos reality shows, com predominência do calão, da traição, valorização da mentira e do sexo pelo sexo, como é o caso do Secret Story, são incapazes de deitar os seus filhos entre as 20h.30 e as 22h, conforme as idades, no dia da grande gala, normalmente transmitida até à 1h30min da madrugada. Este período coincide com a expulsão de um dos concorrentes. No dia seguinte, na escola, eis que os professores se deparam com um grupo de alunos ensonados, sistemáticamente a bocejar e com as estruturas cognitivas não disponíveis para aprender. Saliente-se ainda a incapacidade em fazer cumprir uma ou duas ordens: -“Não vês estes programa pois não é adequado para a tua idade!”. Ou, “Como amanhã tens escola cedo, a hora de deitar é para cumprir”. Mais tarde, estes jovens cuja personalidade se encontra em formação, irão emitar os modelos que idolateram naqueles programas. A informação não lhes foi descodificada, poucos são aqueles que sabem o que se passa por detrás de um reality show ou os mecanismos para aumentar as audiências, entre outas vertentes.

Não podemos esquecer também, os casos das crianças que a horas se deitam mas, sabendo não mais serem vigiadas durante a noite, eis que no tempo se perdem, jogando no tablet ou smartphone. E ainda os casos daquelas que televisão e computador têm no quarto: não respeitando as ordens dos pais, sentindo a porta fechar-se depois do beijo de boa noite, resta-lhes aguardar cerca de dez minutos para dar início a “um novo dia”. Afinal, quem de nós nunca foi jovem? Quem considera as crianças desprovidas de inteligência ou perspicácia?

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2 comentários sobre “O papel dos pais na adequação dos ritmos da escola e dos filhos

  1. Parece que educar se tornou ainda mais complicado na actualidade. Precisam de ensinar os pais a relacionar-se bem com os filhos dentro e fora da escola.
    Precisamos de reinventar o dialogo às refeições. Precisamos saber o que se passou na escola e fora dela. Nenhum pai quer ser policia do seu filho,mas deve querer ser amigo, exigindo regras que são fundamentais para um crescimento equilibrado.
    Um bom trabalho,mas aqueles que o deviam ler não o fazem…Aqueles que têm agora os filhos na escola pensam que os prof’s é que têm estas e outras obrigações.

    Curtido por 1 pessoa

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