Na caminhada incerta, o cancro existe

escrita, Eu & o blogue
Stupid boy by Paulo Vasco

Stupid boy by Paulo Vasco

Dificilmente caminha. O desalento tem vindo a esbater-se, há anos, na sua vida. O receio da morte é presente e constante, castrando a impulsividade, outros defeitos e virtudes. Da mesma forma, a locomoção dificultada pelas dores inerentes à doença, fazem com que percepcione o caos, num leque de monstruosas incertas.

A esperança depositada num dos tratamentos, cujos técnicos designaram como “revolucionário” e “dispendioso”, parece agora exagerada. Questiono a sua percentagem de sucesso. Em meu entender, palavras como “cobaia”, “técnica” e “experiência” não deviam ser abolidas, durante o frente a frente introdutório e de preparação com o doente. Ou, pelo menos, com os seus familiares. Recordo apenas ter ouvido “vamos experimentar”.

Agora, volvido mais de um mês, a frustração. Talvez o antidepressivo ajude a diminuir a intensidade e a frequência das reações irrefletidas. A oração passou a fazer parte dos seus rituais diários. Mas, até quando? A morfina é aquela que continua, entretanto, a aliviar as dores. A restante medicação, uma incerteza.

No seu peito há uma nuvem de lágrimas. Quando soltas, o dilúvio atinge qualquer um. Principalmente, os cuidadores. Neste rio, a incerteza de quantos outros dilúvios, no tempo e no espaço. Estará o tempo para a sua viagem contado? Se assim for, o destino por nós não é traçado.

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