Pelo fumo de um charuto

diário, reflexão
Better be alone by Paulo Vasco @ Flickr

Better be alone by Paulo Vasco @ Flickr

Há alguns anos, ao folhearem as páginas da minha vida, naquele dossiê de folhas amarrotadas, nelas reescreveram novos capítulos, a tinta indelével.

Como em todas as histórias, da época das grandes novelas, a emoção e o sofrimento foram ingredientes dinamizadores. Assim, sem à porta bater ou pedir licença, novos inquilinos invadiram o seio familiar. A primeira a entrar foi a doença de Alzheimer. Seguiram-se dois tipos de cancro. Todos eles embutidos num negro manto de incertezas, receios, dúvidas e algum medo. Mas todos foram encarados com frontalidade. Pelo menos, assim se procura que seja, superando momentos em que o óbvio doma o nosso espírito.

Recentemente, ouço, na tentativa de me preparar a longo prazo:

-“Com esse tipo de cancro, o teu pai, poucos anos irá sobreviver!”

Em mim, jaz ainda, a dificuldade em escrever a respeito deste manto e do seu séquito. Da demência, a peculiaridade, ao tumor maligno, na coluna vertebral, a incógnita realidade. Temporalmente entre estes, o linfoma na glândula salivar da minha mãe.

Todos os finais são incertos, quando reais. Indefinidos, até.
No fumo do charuto, talvez a revelação…

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6 comentários sobre “Pelo fumo de um charuto

  1. Bom dia Paulo
    Hoje pensei em ti. Queria escrever-te. Agora que te li nem sei que dizer-te.
    A vida é dura e tem muitas provas. Umas são velhas e outras são novas.
    Ninguém é dono da vida, nem a pode alongar a seu belo prazer
    Somos limitados, frágeis e muito pequenos para apanhar tantas sovas
    Que Deus te dê forças e que ajude os teus a recuperar e a renascer.
    Um abraço neste teu grande lamento.

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    1. Olá Luís. 🙂
      Finalmente começo a dar alguns passos, escrevendo acerca da realidade que em mim encerro. A ver vamos se assim consigo continuar, descortinando o manto que em mim se fecha. A tua presença é de suma importância. Como sempre adorei a blogosfera, não me parece estranho em ti ter encontrado um “pai”. Grande abraço. 💡

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    1. Olá Mariel!
      Não, de facto não é. As barreiras ainda não superadas e a ansiedade que se intensifica, são obstáculos para a descoberta da pergunta. Ou,… imenso é o medo da sua descodificação e das respostas. 😥
      Um abraço

      Curtido por 1 pessoa

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