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Relacionamentos, Amizade e Afectos: a Farsa!

Artigos, escrita
Da página do facebook de Sebastian Art

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Os relacionamentos tendem cada vez mais a assumir dimensões inusitadas, libidinosas e de intenso cinismo. Falseados, constituem farsas outrora dramatizadas e criticadas por alguns estratos sociais. Nunca foram perfeitos – é certo – mas, neste nosso país, por exemplo, os relatos de alguns dos ainda sobreviventes do Estado Novo, que por tantas privações passaram, demonstram vivências salutares e saudáveis.
Actualmente, desde a pré-adolescência, a palavra “amor” – “Afinal o que é o Amor?” (interrogação retórica do grande poeta) – tem vindo, a perder todo o sentido. Não pela bissexualidade que há em todos nós mas pelo uso abusivo, extemporâneo e falseado de uma palavra, entre tantas outras, para a qual não se procura o sentido, a verdade, a origem… O mesmo se aplica aos ténues, embora persistentes e evidentes elogios visíveis nas redes sociais. Se verdadeiros e sustentáveis, o bullying não teria razão para existir.
“És tão bonita(o)!”, “Gosto tanto de ti.”, “És a minha irmã do coração.” – façamos uma análise com base psicanalítica às expressões deste tipo. Se por um lado existem jovem que, por carências afectivas e/ou distúrbios emocionais  procuram, recorrendo a este tipo de expressividade, captar e colar a fidelidade dos pares; como relatar os que não se inserem no perfil relatado?
Por que razão as mesmas atitudes não são reveladas, pelos adolescentes com bom ambiente familiar, para com os jovens portadores de deficiências, dificuldades económicas ou de outra ordem?
A farsa continua…
A farsa é estimulada
A farsa é alimentada
A farsa integra a dimensão sexual do ser humano…
A farsa, em determinados casos, revela traços de demência
Podemos afirmar que temos muitos amigos?
Parece-me impossível. Pessoalmente, odeio ser tratado por “amigo”, assim como por “Dr.” ou “Sr. Dr.”… Chamo-me Paulo e sou professor.
Todos temos uma rede mais ou menos vasta de conhecidos. Amigos são aqueles que estão presentes nos bons e nos maus momentos, capazes de nos estender a mão, e que nem sempre nos dizem “estás brilhante”.
Amigos são aqueles que nos dizem “tira essa t-shirt. Fica-te tão mal!”.
Amigos choram connosco no perfeito vazio.
Amigos riem connosco do ridículo, respeitam o nosso espaço, a nossa solidão, … as nossas diferenças.
Amigos ousam dizer Não à farsa!
Mas dizer não, não é tarefa fácil… O “não” pode levar à não aceitação (pense nisso!).
Eu sei dizer “Não”, com muito orgulho.
 
À farsa digo “Não”.
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4 thoughts on “Relacionamentos, Amizade e Afectos: a Farsa!

  1. Com o avançar na idade alguns conceitos são alterados. A palavra amor passa a ter outro significado, passa a ser um estado de alma e não um puro sentimento "carnal". Amamos o que queremos amar, identificamo-nos com aquilo que nos diz algo. Os amigos são poucos mas são de verdade. Permitimo-nos chamar amigos áqueles que o são e conhecidos a todos os outros. Quanto às vaidades, preconceitos e outros achaques superfluos cago neles. Perco a vergonha de dizer o que penso e agora sim considero-me mais humana, mais realista e penso que olho para o outro como meu igual. Bjitos

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  2. Olá Paulo, abordas um tema bem complicado aqui…Acho até que já não é a primeira vez que falas nisso nos teus posts. E eu, embora uma parte de mim se incomode ao ler-te neste contexto, sou obrigada a dar-te razão em grande parte do que dizes. Nas relações virtuais, creio que se tentam encontrar palavras que substituam um gesto, um abraço ou um simples olhar, algo que aproxime do profundo. Daí o excesso de termos e a (nem sempre, mas muita) banalização dos sentimentos. Incomoda-me bastante o abuso dos verbos, principalmente entre adolescentes. No entanto, “ainda sou do tempo” em que realmente se criavam laços fortes e verdadeiros entre as pessoas, alguns (muitos) dos quais se sobrepõem à distância e ao silêncio. Encontrei muita gente verdadeira por aqui, a quem apenas consegui “tocar” com palavras semelhantes a: “És tão bonita(o)!”, “Gosto tanto de ti.”, “És a minha irmã do coração.”. Provém daqui o meu “incomodo” ao ler-te. Continuo a acreditar que existe muito mais além do superficial. Nem sempre, nem nunca. Não consigo radicalizar e, embora cada vez mais me resguarde, continuo a acreditar. Deixarei de estar aqui quando perder a fé. Mas sim, concordo que há cada vez menos verdade e que os conceitos se distorceram de uma forma arrepiante, tornando difícil separar o trigo do joio. Nas relações reais…bem, nessas há de tudo e como dizes, sempre houve, mas… “Os relacionamentos tendem cada vez mais a assumir dimensões inusitadas, libidinosas e de intenso cinismo.” O ser humano passa a vida a reivindicar “direitos”. Depois tem que aprender a viver com as consequências. A liberalização das relações e dos sentimentos é hoje algo que se assume natural. Tão natural que assusta ver-se a forma vulgar como se levam as relações, quaisquer que sejam. Já nada tem que ser… Outro dia fui fotografar um casamento. A noiva atrasou-se na cabeleireira e já quase em cima da hora da cerimónia mal houve tempo para as fotos. Resposta dela, perante o meu lamento: Da próxima vez que me casar vou mais cedo à cabeleireira. E não, não estava a brincar. Existe realmente uma FARSA, também na realidade. E essa é bem menos desculpável. Poderia dizer-te que, como mãe, me preocupa conseguir que os meus filhos saibam o valor da dádiva, a importância do respeito e da lealdade. Tenho receio de falhar porque sei que luto contra a maré (felizmente não estou sozinha nessa corrente). A integridade desfaz-se. Cabe a cada um de nós a consciencialização e a vontade de nos mantermos fieis aos valores que os nossos pais e a sociedade de outrora nos conseguiram passar. Tu és um dos resistentes e bem-hajas por isso.BeijoP.S. Desculpa o tamanhão mas há dias assim 🙂

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  3. @ Nanda Oi, Nanda.Fizeste uma abordagem diferente às minhas linhas neste texto – aquelas que aqui não contemplo mas que são muito válidas.Irei comentar indo ao encontro das tuas palavras. Na verdade, não há conteúdo com o qual discorde. Revela, em meu entender, crescimento: a evolução sexual do ser nas suas dimensões. Por outro lado, está evidente a importância e regozijo no conseguires dizer "não". Porém, sabemos que muitos da nossa idade ou mesmo muito mais velhos não o conseguem. Alguns não condeno pois são frágeis por causas de vária ordem, e como tal pretendem agradar, num mundo que encontram sitiado por fantasmas.Centralizando-se no texto, mantenho expressa preocupação com os pré-adolescentes e adolescentes com os quais trabalho. Refuto que o conceito de "bullying" seja actual – eu vivi-o, senti-o! Mas a relação entre pares torna-se, em muitos casos, preocupante. É certo que depende, no caso do nosso país, da região na qual te encontras. Um estudo a este respeito, em Cinfães, por exemplo, não surtiria grande efeito porque os miúdos ainda são humildes, à excepção de algumas excepção (que curiosamente me passam pelas mãos – certamente por causa dos meus olhos).Besos

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  4. @ CrystalPermite-me que te trate por S., sem que assim refira o teu nome próprio. Afinal conhecemo-nos desde o meu 1º blogue. Um espaço que tinha verdade em excesso, sem entrelinhas, de tempos em que ainda não me podia orgulhar de saber dizer "não", vivendo aventuras ora magníficas ora caóticas na ed. especial. Ao mudar de escola, eis que constatei pessoas da nova cidade que começaram a "mergulhar" na minha vida. Vi-me obrigado a deixar o espaço aberto apenas a convidados. Aos poucos mudei-me para o multiply que graças aos elevados níveis de confidencialidade que têm prendeu-me. Actualmente não sei o link do meu 1º blogue nem o e-mail a ele associado… Mas, com o quanto partilhamos como não te considerar elemento da minha vida, mesmo que virtual? No teu caso, à semelhança de muitos outros cujos laços têm vindo a ser alimentados desde o tempo do spaces ou do multiply (este desde 2006) como não nutrir maior confiança do que em relação, por exemplo, a colegas que apenas passam e se estive a faltar com crise de cálculo biliar nada dizem? Ou se expresso dor têm exactamente a mesma atitude? Ou aqueles que tendem a forçar a amizade (interesse sexual? laboral? intelectual?)? Ou os que adoram tentar folhear a minha vida (sem qq sucesso)?Penso não precisar de esboçar outras palavras para deixar claro o meu parecer e os meus sentires em relação a este assunto. O virtual é relativo. Uma pessoa pode estar todos os dias ao nosso lado mas sempre tão distante!Será pela nossa proximidade de idades que estamos tão de acordo em relação à farsa?O episódio que relataste em nada me surpreende. Corresponde às "crises" de algumas das minhas "meninas de cidade" antes de migrar para Cinfães.Enquanto mãe, o facto de te preocupares – o teres receio / medo – é de extrema importância. Significa que estás atenta. Esta publicação tem base científica – o manual encontra-se proposto em outro post – e todos os relatos fazem parte da minha experiência enquanto professor e membro que interage com os discente nas redes sociais. Alunos com pais com uma profissão com "reconhecimento social" – profissionais de saúde, educadores, de justiça, … – têm maiores probabilidades de serem bem sucedidos nas relações. Caso contrário só 100% corpos "Danone". Claro que nos outros casos a exigência não é tanta. As ofensas entre os adolescentes são…Quando pertencem ao mesmo grupo, expressam a bissexualidade – lê sff um dos posts anteriores a este cujo link deixei nesta publicação, o qual tem rigor científico – como se estivessem a chupar um gelado de nata. Ao mesmo tempo, e porque os pais não conversam de sexualidade com eles/elas expõem fotografias de um erotismo qs extremo… Recordo, ainda no decorrer do ano lectivo anterior, ter encontrado, no Hi5, uma aluna cuja expressão correspondia à de uma mulher que recebia o esperma de um homem na língua…Do outro lado, os adolescentes de parcos recursos ou modestos não têm lugar a elogios, mesmo que falsos. Não são sequer convidados a sair! Num momento de angústia de um dos "líderes", no mural encontras "és mesmo feio!", "por que não te matas?", "cheiras a xulé!!!", "o João enrabou-te no ginásio!" (esta última, por exemplo, traduz muitas vezes o desejo do "betoso" que colocou o desejo na pessoa e prática de um suposto João). Enfim, há tanto a dizer. Tanto a investigar!!!!! Bj grande.Como vês, testamentos e eu também combinamos 🙂 pelo que não tens de pedir desculpa.

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