A Carroça

diário, educação, escrita

Naquela manhã, talvez com 7 ou 8 anos, mergulhei no verdejante pinhal da Tia Maria tão rico em fetos, na companhia do meu pai.
Apreciei as doces fragrâncias da terra molhada e os odores da terra fecunda que apenas quem a ama é capaz de os sentir.

O pai Vasco, enigmático e sabichão, pediu-me para que relatasse tudo aquilo que ouvia.
– Pai, apenas ouço o maravilhoso cantar dos pássaros. – respondi.
– Não ouves mais nada? Escuta com atenção! – disse, com a sua calma característica. Acedi e consegui escutar o som de uma carroça ao longe.

Pai: – Trata-se de uma carroça vazia – referiu, emanando aquela sua sabedoria por mim tão admirada. Não pude deixar de o questionar: – Como podes afirmar que é uma carroça vazia se a não a vemos?

Pai: – Uma carroça vazia faz barulho. Repara que, uma carroça quanto mais vazia mais barulho faz.

Hoje, quando ouço alguém a falar alto, na procura de humilhar e intimidar o seu semelhante, recordo aquele momento com o meu pai. Aprendi, outro conceito de vazio. Em mim, está sempre presente a frase: –“Uma carroça quanto mais vazia mais barulho faz”.

Adaptação de Paulo Vasco Pereira a partir de um texto recebido por correio electrónico.

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5 comentários sobre “A Carroça

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