Nesta noite que se desejava branca

diário
Fotografia de Paulo Vasco Pereira

Fotografia de Paulo Vasco Pereira

Escrevo nesta noite que se diz de família.
Na verdade, creio nunca ter tido a felicidade (?) em conhecer o sentido e o significado de “família”. Assim, aqui num canto, junto à lareira, escrevo enquanto acompanho os meus pais e os meus gatinhos, numa outra noite, de um novo ano, uma vez mais, em solidão. Lá fora, a Mafalda, minha cadela Serra da Estrela, que tanto estimo, por vezes ladra.
De vez em quando, recordo os meus avós paternos, já falecidos. Sinto uma estranha saudade apesar de ter sido um neto inusitado. Queria acreditar na possibilidade de mudar os afectos desse passado. Meus avós maternos já sustentam as amarguras da idade avançada restando-me a mágoa pelo que não representei, enquanto criança. 
Estas linhas podem parecer “amargas” mas não o são. Traduzem a realidade de tantas famílias. Por outro lado, o quanto preciso de as soltar de mim.
Na certeza, o vazio que me tem impedido de escrever. A falta de energia gerada pelo princípio da insatisfação que me provoca a actual situação profissional.
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