À morte

escrita

 


 
 
Chama-me no seu manto escuro, sem cor definida.
Mergulho nas suas entranhas, como sedento do ar que há em ti, numa hipérbole traçada pelos desalentos da vida.
Sinto-me cair, sem não mais beneficiar dessa protecção uterina. Com o nascimento, deu-se o choro que marcou a primeira entrada de ar nos pulmões, para que sombras maléficas pudessem vingar os  sentires, há tanto incertos e violentados na história, espírito de luz.
As cores refugiaram-se no paraíso idealizado pelo bicho Homem. Apenas se manteve aquele manto…
Acorrentado, desprendi-me, mergulhando, anos mais tarde, no abismo daquele poço que com tão poucos partilhei. Estendi a mão… A minha solidão estava escrita para um sempre.

Distante sussurro-te: –“Preciso de ti!”
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2 comentários sobre “À morte

  1. Bom dia Paulo
    Muito sentimento que nos devassa como um mar em fúria.
    Não se sabe a força desse mar.
    Precisamos de uma rocha onde nos aportar. Precisamos ver a força dessas correntes do lado de fora das águas em movimento.
    Um abraço.

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