Assaltado

diário
Pela 1ª vez fui roubado. Eis uma das vantagens de viver no interior do país. Se assim não fosse, da forma como sou despistado, quantas vezes tal já não teria acontecido.
Ao chegar à casa onde resido, uma humilde residencial, na cidade onde lecciono, à noite, na casa de banho não encontrei duas das minhas águas de colónia (o Chrome da Azzaro e a Carolina Herrera), a minha Gillette Sensor Excel e um relógio. Pensei, dado ter partido exausto de Seia, no dia 27 de Julho, em virtude da minha pen drive ter perdido todos os dados com um ataque de um vírus informático, que tais materiais tivessem sido levados, por mim, no mês de Agosto, para a minha residência. Afinal, à noite, eis que o senhorio me visitou confirmando o “assalto” ocorrido durante o mês das minhas férias, por um inquilino, ainda jovem, segundo ele dos arredores da cidade de Trancoso. Trata-se de um local onde trabalhei 7 anos, em cujas algumas das aldeias anexas há casos de (não só mas também) grande pobreza, onde ainda se verifica falta de saneamento, electricidade, habitações adequadas, … O relevo é também um factor inibidor. Quantas se encontram perdidas numa “serra de pedra”.
Na verdade, acabei por ficar tranquilo pois mentalmente constatei não estar tão louco quanto pensei. Dei por mim a reflectir, numa perspectiva que julgo sociológica: o jovem, que nem “inteligência” teve para levar a recarga das lâminas de barbear ou a outra Gillette ainda mais cara (talvez por a não considerar atraente), não levou qualquer um dos meus livros ou materiais escolares. Afinal, o que é que estes lhe diziam? Deve ser um daqueles casos – e quem sabe se não foi meu aluno – para os quais folhear, visionar uma imagem ou sentir a música é como árdua dor de cabeça. Um caso para o qual ter uma lâmina de barbear que vibra com uma pilha tem um valor muito superior à colecção de 4 CD  dos anos 80 que deixei em cima da mesa da sala, com os dois últimos NOW. Estranho mas real, apesar da saudade das minhas colónias, até me sinto bem por ter podido fazer sorrir alguém que certamente poucos motivos deve ter para tal. No entanto, aprendi a não confiar passando a ter de deixar as portas trancadas à chave.
Key -https://pixabay.com/pt/chave-metal-in%C3%ADcio-seguran%C3%A7a-96233/

Key 

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2 thoughts on “Assaltado

    1. Este texto é já antigo. Nem me recordava do sucedido!
      Na altura não foi nada (mesmo!!!) agradável: apenas detetei o roubo pela manhã, quando me preparava para sair para a escola. Não tinha a minha escova de dentes… e o meu perfume preferido 😦

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