Aguardo – como se a vida tivesse tons de azul

diário


Não compreendo o Natal e talvez nem o pretenda.
Este é, de todo, diferente. O silêncio instalado, de forma austera, entre mim e o “meu pai”, sem lugar ao perdão, incentiva, em maior escala, a revolta que há em mim. De nada adiantam os sonhos passageiros. O acordar remata um novo dia.
Estranho a contínua submissão e passividade da minha mãe. Como pode, 
nos nossos dias, existirem mulheres submissas? Como pode existir pessoas sem ambição ou força para fugir?
A acomodação…
Quando olho em redor e vejo que nada tenho…

O nada.

Sempre, o nada.

Afinal, que partido tirei de uma licenciatura e de uma especialização/pós-graduação, neste país de abutres, onde o papel de professor nada é dignificado? Que futuro? Na escola sou o mais novo, o menos remunerado e um dos que mais habilitações académicas tem.
A vida não é justa…
No deserto que é a terra onde nasci, sinto, de forma acentuada, que aqui não pertenço. Pelo menos, agora tenho a certeza.  Falta-me (talvez) o grande amor, indutor da mudança e da construção.
Nos desencontros da vida, o desejo sexual cessa. Novo, bem sei, mas não pretendo viver de histórias ou momentos.
Aguardo…
Talvez…

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