Não quero acordar

diário

Quantas manhãs sem o desejo de ver a luz…
Actualmente apenas gosto da escuridão da noite. Até a força do vento desencadeia em mim, uma estranha ira, que me agarra à cama, sempre que possível, até ao período da tarde, quando a luz se começa a esquivar.


Nada é como antes e nem sempre as mudanças são salutares. Dentro de mim há a revolta face ao sistema educativo que nos obriga a passar de ano alunos que nada sabem (ou pior, nada fazem!), dar melhores notas que os colegas da mesma disciplina e do que no ano lectivo passado. A aberração obriga-nos a submetermo-nos, como escravos, aos pés de todo e qualquer Encarregado de Educação ou Presidente de uma escola, com ideias macabras. Agora, que é demasiado tarde, arrependo-me dos erros do passado. Aqueles que não podem ser remediados…
Ainda escuto muitas pessoas de Santa Comba Dão, perguntando aos meus pais: – “Mas o Vosso filho não seguiu medicina?”
Para esta área sei não ter vocação mas tantas outras desperdicei… Porque sonhei com o ensino, desde criança?

O curioso é que há, em mim, muitas palavras, na forma de revolta, que me acorrentam à cama, as quais não consigo exteriorizar e que tudo estou a remeter para a escola. Os amores, a falta de sentido, a falta de oportunidades, a falta de vivências, a falta…

Tudo o que aqui escrevo não deve, na verdade, ter sentido.
Na verdade, não tem. Já nem escrever sei ou lavar a minha alma, tamanho é o meu estado de poluição agreste.
Para além de sexo e cinismo, quais são as outras palavras de ordem, no actual mundo, que me ofusca a visão e concomitante percepção?

 

Seia, 25/11/07 (início de uma ventosa noite de Domingo)
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2 thoughts on “Não quero acordar

  1. Boa noite Paulo
    Achava estranho as tuas músicas, mas entendo que gostes delas e que as mesmas te reconfortem tantas angústias.
    Não, não consigo entender mais do que algumas letras traduzidas.
    Vou passando pelos teus posts e fico em silêncio. Serei parte dessa escuridão que te alberga o sistema nervoso?
    Eu gosto de silêncio mas não de escuridão.
    Em silêncio poderei ouvir-te, mas na escuridão tudo morre. Se fechar todas as janelas as minhas flores morrem.Elas e eu precisamos de luz.
    Não leves a vida tanto a sério. Faz o teu melhor sem te tornares um escravo da sociedade ou de ti próprio.
    Desculpa-me a lenga-lenga.
    Já não sei se falava contigo ou se tudo isto foi foi uma conversa séria para mim.
    Aceita um abraço com respeito e muita amizade.

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