Sarah McLachlan – Fallen

música

 

Letra

Heaven bend to take my hand
And lead me through the fire
Be the long awaited answer
Toa long and painful fight

Truth be told I’ve tried my best
But somewhere along the way
I got caught up in all there was to offer
And the cost was so much more than I could bear

Though I’ve tried, I’ve fallen…
I have sunk so low
I messed up
Better I should know
So don’t come round here
And tell me I told you so…

We all begin with good intent
Love was raw and young
We believed that we could change ourselves
THe past could be undone
But we carry on our backs the burden
Time always reveals
In the lonely light of morning
In the wound that would not heal
It’s the bitter taste of losing everything
That I’ve held so dear.

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Os Fortes ou Os Fracos?

diário, escrita, reflexão

      Nunca escondi que em criança e adolescente fui vítima de bullying. Na altura, tal não tinha nome. Quantas vezes, em algumas situações, na escola, adultos, regra geral homens nos seus 40-50 anos, fingiam não ver os abusos dos outros alunos? E riam… Recordar ainda dói.

      Compreendo que muitas eram as minhas diferenças: aspeto totalmente nórdico, gordo, bom aluno, não sabia (nem sei!) jogar futebol, preferia as músicas e filmes desconhecidos pela maioria, gostava de ler, brincava com as meninas e com os mais pobres ou ricos, tinha vocação para o teatro e escrita e nenhuma tendência para educação física ou madeiras (que horror!). Adorava perfumes (ainda gosto), viajava por mundos fictícios e compreendia os problemas mais complexos dos amigos. Os meus pais trabalhavam e quando comprava roupas, estas eram de qualidade (não se leia de marca e com frequência, mas as necessárias). Naqueles tempos, poucos eram os pais que trabalhavam. Regra geral, a mãe cuidava da casa.

     Na adolescência, sem entender, e graças a um artigo de uma revista recém chegada a Portugal, compreendi que estava a ser sexualmente assediado, com uma prima, durante a aula de madeiras. Conseguimos nada sofrer, a não ser uma nota nota negativa no 2.º período. Não a mantivemos no 3.º porque conseguimos a nota máxima na disciplina com a qual aquela fazia média. Tanto há a dizer…

      Como professor, foi na passada quinta-feira que fomos alertados, na nossa sala de aula, por duas auxiliares, para o comportamento de dois alunos durante o intervalo de dez minutos. Congelei e senti-me a arder. Crianças de 8 e 9 anos colocaram a cabeça na sanita de um menino de 6. Como se não bastasse, seguiu-se um pé. Outro aluno, da mesma turma, assistiu a tudo e nada disse. Queria congratular-se culpando, em primeira mão, os colegas.

      Interrogo-me, qual é o futuro da humanidade? Ah, estes meninos não têm problemas familiares, não vivem em bairros sociais nem são carenciados.

 

Inspiro.

Sou invadido por receios e incertezas que parecem percorrer, inclusive, o diafragma. Ultimamente, dormir não tem sido fácil. Confiar no futuro também não.

Os meus pensamentos têm sido invadidos por questões de puro existencialismo. Por muito que me esforce, continuo sem entender qual é a nossa missão no mundo, o que nos traz, o que nos leva, onde começa e onde acaba a essência de cada um de nós. Por vezes, a falta de fé assusta-me. Poderá a Bíblia ter sido escrita por grandes pensadores?

Constato que, caso a vida siga o seu percurso “normal”, um dia ficarei sozinho neste mundo cheio de gente. Sem armas, desprotegido, fruto de uma adolescência que não pedi.

Qual é o sentido e o significado que se deve impor ou desejar da vida?

diário
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Peço silêncio

poema

Quero apenas cinco coisas…
Primeiro, o amor sem fim.
A segunda é ver o outono.
A terceira é o grave inverno.
Em quarto lugar o verão.
A quinta coisa são os teus olhos,
Não quero dormir sem os teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abdico da primavera para que continues simplesmente a olhar.

Pablo Neruda

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A comida mastigada

diário, humor, memórias

— O que é a combustão?

— É comer comida mastigada! – respondeu o aluno, tendo entendido, pensamos nós, “mastigação” no lugar de “combustão”.

 

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Um dia “pingado”

humor, memórias

A atividade consistia em encontrar sinónimos de determinadas palavras.

Perante a frase “Estava um dia molhado“, com a maior das certezas, o aluno em voz alta respondeu: “Estava um dia pingado

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Ship of Fools

música

 

Letra

I can’t believe what is happening to me
My head is spinning (Spinning)
The flowers and the trees are encapsulating me
And I go spinning (Spinning)

He was the baby of the class you know
He really didn’t know that one and one was two
Two and two were four
He was the baby of the class you know
He really didn’t know that
Really didn’t know that
Oh what a poor soul

Oooh, do we not sail on the ship of fools
Oooh, why is life so precious and so cruel

I close my eyes and I try to imagine
What you’re dreaming
Why can’t you see what you’re doing to me
My world is spinning (Spinning)

He was the baby of the class you know
He really didn’t know that one and one was two
Two and two were four
You were the baby of the class you know
You were so young and so uncertain
Suffer little children
Oh what a poor soul

Oooh, do we not sail on the ship of fools
Oooh, why is life so precious and so cruel

He was the baby of the class you know
He really didn’t know that one and one was two
Two and two were four
He was the baby of the class
He was so young and so uncertain
Suffer little children
Oh what a poor soul

Oooh, do we not sail on the ship of fools
Oooh, why is life so precious and so cruel

Oooh, do we not sail on the ship of fools
Oooh, why is life so precious and so cruel

Oooh, do we not sail on the ship of fools
Oooh, why is life so precious and so cruel

Oooh, do we not sail on the ship of fools
Oooh, why is life so precious and so cruel
Songwriters: BELL, ANDY / CLARKE, VINCE
Ship Of Fools lyrics © Sony/ATV Music Publishing LLC, Universal Music Publishing Group

Change of Heart

música

 

Memórias!…

 

Here I am
Just like I said I would be
I’m your friend
Just like you think it should be
Did you think I would stand here and lie
As our moment was passing us by
Oh I am here

Waiting for your change of heart
It just takes a beat
To turn it around
Yes I’m waiting for your change of heart
At the edge of my seat
Please turn it around

Days go by
Leaving me with a hunger
I could fly
Back to when we were younger
When adventures like cars we would ride
And the years lied ahead still untried
While I stand here

Waiting for your change of heart…

Blind leading blind
Never hear the laughter
Search through time
Nothing reveals the answer
If it’s truth that you’re looking to find
It is nowhere outside of your mind
I bide my time
Waiting for your change of heart…

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A dimensão das saudades do M.

diário, escrita, reflexão

   Durante a aula, numa das minhas procuras pelo equilíbrio que só aquele anjo me proporciona, desafiei o M.

— Tens muitas saudades do pai?

— Claro. Ele está tão longe! Não o posso dividir contigo, mas posso ser teu irmão e dividimos o meu quarto.

— Ok, fico muito contente. Como sabes, o professor já não tem pai e é sempre bom ter um irmão, mas podes continuar com o teu quarto tal e qual como está.  (Ele sorriu!) Somos irmãos e amigos. Eu tenho de continuar na minha casa pois cuido da minha mãe e avó. Sabes, quando mais novo do que tu, também o meu pai esteve no estrangeiro, pelo que sei o que sentes. Sempre que pretendas podes escrever uma mensagem ao professor. Se pudesses quantificar, qual o tamanho ou a dimensão das tuas saudades?

M. não respondeu e regressou à leitura do livro.

— Então, não respondes à pergunta do professor?

Não sei responder! – disse com uma expressão triste por não conseguir satisfazer o que lhe pedira.

— Porquê?

— Então, elas são tantas que não tenho braços do tamanho dessas saudades.

Senti-me comovido com aquelas palavras, raras nos nossos dias. Contive uma lágrima, um forte abraço e um beijo na testa. Infelizmente, nos nossos dias, neste país, qualquer gesto pode ser confundido com pedofilia.

— Dizes coisas tão bonitas M.! O pai também tem saudades tuas e podes sempre “matá-las” pelo Skype. Espero que a vida te mantenha assim, doce, criativo e meigo.

   Pena a vida ser cruel e não podermos acompanhar as transformações das nossas crianças/adolescentes.

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Foto de Pixabay

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Ainda não soube como

diário, escrita, memórias

   As estrelas brilhavam. Por entre as palavras soltou-se o abraço que navegou rumo ao beijo longo e profundo.

   Sorrimos.

   Olhos nos olhos trocamos carícias enquanto saltávamos as ondas que nos levavam junto ao recanto escuro do penedo anexo ao muro de pedra.

  Seguiu-se a contemplação, como se fossemos únicos. Esta impediu que as roupas permanecessem nos nossos corpos, naquela noite duplamente quente. Pelo menos, as necessárias à fusão dos corpos.

  À semelhança de um filme francês, fugimos dali. Parecíamos querer dar asas a uma história com densidade. Todavia, quando estas se iniciam com a concretização da atração física, o fim parece não ser o melhor. Pena não ser livre por forma a poder escrever mais. Liberdade, liberdade… Utopia da democracia.

   Reencontramo-nos volvida uma semana.

   No céu, as estrelas deixaram de brilhar, o tempo mudou… Passaram-se meses e ainda não soube como escrever estes fragmentos.

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Lágrimas by Paulo Vasco