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Incendiar é divertido

   Em Portugal, incendiar parece um jogo de suma diversão. Todo o espetáculo é apresentado, em grande estilo, nos canais de televisão aberta, preenchendo minutos e minutos dos noticiários, que dão conta dos hectares de terreno ardido, casas, animais, … e até pessoas que não resistem ou foram apanhadas desprevenidas.

Enquanto isso, no seu sofá, talvez na sua maioria em plena bebedeira, os incendiários responsáveis têm orgasmos de prazer com os seus feitos e ganham novo ânimo para perpetuar os crimes. Sabem que, caso apanhados em flagrante ou depois, rapidamente serão libertados. Mesmo que se trate, em alguns casos, de uma patologia, a obrigatoriedade ao cumprimento de um tratamento de saúde mental não existe. Dá-se lugar a inusitados reacendimentos e a focos de incêndios nas proximidades. Certamente que, para estes, foi uma ou várias punhetas bastante agradáveis, à custa da destruição e sofrimento alheio.

   Atenda-se à situação do passado dia 11 de agosto, durante a tarde, aqui fotografada e cujos focos de incêndio foram, inicialmente atribuídos a um comboio em circulação.

 

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Incêndios entre Sta Comba Dão e Carregal do Sal – 11 de agosto de 2016

   Em primeiro lugar, apesar dos focos de incêndio seguirem, mais ou menos a linha de comboio, convém referir que este circula a eletricidade e não a carvão. Por outro lado, quando há algum problema devido à superfície de contacto do comboio e a linha, este meio de transporte é imediatamente imobilizado e feito o transbordo dos passageiros. Assim já aconteceu durante os longos anos em que lecionei no distrito da Guarda, utilizando sempre este meio de transporte. A ideia que dá, corroborada por alguns soldados da paz, é a de que existia alguém no interior do comboio que ia apeando os incêndios, estando em sintonia com outra pessoa que percorria algumas localidades. Só assim se explica que tais focos tenham surgido em simultâneo, bem como os reacendimentos.

   Parece-me perentório afirmar que estamos perante uma forma de terrorismo. O que aconteceu à nossa ilha da Madeira? No Norte e Centro do país? Quantas espécies destruídas, influências ao nível litológico, alterações da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, destruição da camada de ozono e concomitante aumento do efeito de estufa e do número de casos de cancro; a longo ou curto prazo, direta ou indiretamente. Quantos ecossistemas destruídos!

   De uma vez por todas, veja-se esta problemática como forma de terrorismo e atenda-se às verdadeiras consequências. Uma casa pode construir-se de novo. O nosso planeta não. Quem é que nos ataca? Tantos são os interessados, para além dos óbvios.

   Para terminar, partilho um vídeo que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão elaborou como forma simbólica de agradecimento aos Bombeiros. Simbolismo de suma importância. Aliás, o que faltou para com os ex-combatentes da Guerra do Ultramar.

 

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Momento

Um copo de água.

Um Xanax.

Nada como tentar dissolver a néscia falta de alento, corroborada pela acidez letal do destino de uma vida sem qualquer sentido.

Fecham-se os olhos. Resta esperar que do cinzento surja o desconhecido.

 

The chest
The chest

O melhor de tudo é inteiramente inatingível: não ter nascido, não ser, nada ser.

(Nietzsche)

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Fotografia – Paulo Vasco

De Nietzshe

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Alzheimer: o que é e como se manter ativo?

 

O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer, de instalação insidiosa e progressão lenta, afeta, primeira e predominantemente, a memória episódica, com o doente começando por ter dificuldades em lembrar-se de fragmentos recentes da sua vida (onde coloca os objetos, os recados, o que comeu no dia anterior, em que dia do mês está).

Quais os sintomas da doença de Alzheimer?

As memórias mais remotas resistem melhor, mas acabam também por se perder ao longo da doença. Ao defeito de memória vão-se juntando lentamente outros sintomas característicos da doença de Alzheimer:
começa a haver dificuldade em reconhecer pessoas;
o discurso torna-se cada vez mais pobre e entrecortado à procura de palavras;
a orientação em espaços fica cada vez mais difícil;
com o tempo começam também a surgir as primeiras alterações do comportamento, sendo frequentes as alucinações visuais e a atividade delirante (o doente achar que o roubam ou perseguem), resultando em agitação e agressividade.

Este conjunto de dificuldades aumenta até ser suficiente para a pessoa deixar de viver de forma autónoma, tendo que ser ajudada em tarefas antes realizadas de forma natural como cozinhar, vestir-se, lavar-se, lidar com eletrodomésticos ou dinheiro.

O exame neurológico na deteção de Alzheimer

O exame neurológico é tipicamente normal nas fases iniciais da doença de Alzheimer e os exames de imagem, se não forem também normais, mostram apenas atrofia dos hipocampos, formações anatómicas existentes na parte interna dos hemisférios cerebrais e que têm um papel fundamental na consolidação e evocação de novas memórias. Em fases mais avançadas de Alzheimeros doentes desenvolvem muitas vezes sinais de parkinsonismo (lentidão e rigidez) e os exames mostram atrofia de todo o cérebro.

Alzheimer | CUF . (2016). Saudecuf.pt. Extraído a 3 de  agosto 2016, em  https://www.saudecuf.pt/mais-saude/doencas-a-z/alzheimer

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E as palavras

Durante os últimos meses, tem vindo a escassear o meu tempo disponível para este espaço que nunca foi um projeto. Mais ainda para as redes sociais. Cansei-me de recorrer às  entrelinhas nas verdades, de não ser direto e objetivo, por temer consequências, entre outras, como as de ordem laboral, por exemplo.

Aos poucos, tenho vindo a aprender a viver na farsa, uma vez que agora somos só três, com muitas noites e dias sem dormir, sobretudo quando a demência da avó se manifesta. O quanto sofrem, no seu pranto e labuta, os Doentes de Alzheimer.  Eu sou o “homem de família”, “fonte de rendimento”, cuidador e de apoio; não obstante a louvável força da minha mãe. Não estava preparado para esta rasteira da vida.

E os outros, o que querem saber a este respeito?  Nada.  Ao cuidador nem é dada a oportunidade de permutar algumas horas ou um dia de trabalho. Quando a este quadro se associa a probabilidade de um novo cancro da mãe, o cenário  mantém-se. Palavras para quê? Só mesmo as de escárnio e maldizer, idênticas às daquela zombie de sorriso bonito, que cresce junto às chefias recorrendo à sua suma maledicência, idiossincrasia que parece fazer parte do seu genótipo. De louvar a forma de obter informação acerca dos trabalhadores…

Bajulai, bajulai…

Talvez um dia, na sessão de depilação, por forma a operar uma mudança, no lugar de pêlos comecem a sair fios de lã.

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Veja “Would you stop if you saw this little girl on the street? | UNICEF” no YouTube

 

Pararia caso visse esta menina na rua?

Dizer-lhe-ia “Olá”?

Convidá-la-ia a partilhar a sua refeição?

Quem é que nunca errou?

Quem é que ainda não teve uma destas reações condenáveis, ao vermos o vídeo? Por medo, vergonha, idade, entre outros? …
Eu já errei.

É tempo de mudar. Nos últimos anos tenho vindo a operacionalizar essa mudança. Nem sempre é fácil mas também não é difícil. Por isso, Venha dai!